ROBÔ GIGANTE


REFLEXÕES SOBRE TOKUSATSU E A CULTURA POP JAPONESA by nagado
março 20, 2009, 1:47 pm
Filed under: Nagado, Papo

Hoje em dia, quando se fala em cultura pop japonesa (termo tão na moda), a maioria das pessoas se refere à combinação mangá, animê, games, cosplay e J-Music (basicamente, J-pop, J-Rock e Animesongs). O tokusatsu tem ficado de fora da definição, mas ele sempre foi parte essencial dessa indústria pop. Nos últimos anos, o tokusatsu tem perdido esse espaço porque é, com poucas exceções, associado a programas infantilóides cujo público formador de opinião (e que não seja meramente saudosista) é cada vez menor.

O tokusatsu não precisa ser sinônimo de programa infantil, apesar de ser na maioria das vezes, numa proporção muito maior que o animê. Ressaltando que eu não acho que uma produção violenta automaticamente se torna “adulta” ou mesmo “juvenil”. Por mais que os animês dos Cavaleiros do Zodíaco mostrem litros de sangue jorrando, aquilo jamais será um produto para adultos, exceto os adultos que cresceram gostando da série. Um produto mais adulto, do meu ponto de vista, tem mais a ver com uma visão de mundo mais elaborada. Por exemplo: um grupo de alienígenas numa espaçonave não tem condições de conquistar e controlar um país, muito menos um planeta. Quando se tem 8 anos, dá pra levar isso a sério. Já uma organização secreta que manipula pessoas para atingir seus objetivos, soa mais plausível e permite soluções menos forçadas como “vamos transformar algumas pessoas em abóboras e forçar a humanidade a se ajoelhar perante nosso Imperio, ah ah ah!!!”.

O tokusatsu como o conhecemos nasceu com o primeiro Godzilla (1954) e era um filme-catástrofe, feito para assustar, provocar reflexões e deixar a platéia boquiaberta com cenas espetaculares mesmo em um filme de baixo orçamento. Com a ida do gênero para a TV (onde encontrou seu veículo ideal) e com o passar dos anos, virou praticamente sinônimo de vitrine de merchandising e divulgação de brinquedos. As fábricas de brinquedos, aliás, foram assumindo as rédeas do controle criativo, ditando rumos e obrigando o uso de cada vez mais veículos, robôs e sub-transformações ou formas alternativas de personagens. A história foi ficando em segundo plano em relação aos apetrechos colecionáveis que são mostrados.

Particularmente, e sem correr o risco de ser saudosista demais, gosto de recordar aquelas cenas e episódios de seriados que surpreenderam, que foram além das expectativas e forneceram elementos para serem lembrados por muito tempo. As listas de filmes e séries que andamos soltando aqui, inclusive, valorizam exatamente títulos que se destacaram por seu roteiro, direção e desenvolvimento de personagens. Independente desses personagens darem origem a bonequinhos ou não.

Cabe aos produtores, roteiristas e diretores recuperar o espaço perdido para que o tokusatsu seja lembrado sempre como um dos pilares da cultura pop japonesa.

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TOP 5 – CINEMA by nagado
janeiro 28, 2009, 1:29 pm
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Chegou a hora de uma listagem sobre o que de melhor o tokusatsu já produziu para o cinema, lembrando que o tokusatsu nasceu na tela grande, apesar de ter sido melhor acolhido na telinha. Não farei aqui uma lista dos filmes mais importantes na condição de especialista. O tokusatsu cinematográfico mais importante de todos os tempos é Godzilla, o original de 1954, o início de tudo. Criou fórmulas, conceitos e mudou a cara do cinema japonês. Rodou o mundo e virou ícone pop. Não é questão de gosto pessoal e não há o que discutir: Godzilla é o número 1 isolado quando se fala em tokusatsu para o cinema. Todo o resto está muitos degraus abaixo em termos de repercussão ou importância histórica.

A lista que vou divulgar a seguir é baseada somente em GOSTO PESSOAL, em filmes que eu vi e revi várias vezes, que me empolgaram e ficaram na memória. São somente filmes criados originalmente para o cinema, englobando diversas épocas. E como lista existe pra ser debatida, aguardamos suas opiniões. Agora, minha lista de movies de tokusatsu favoritos, em ordem de preferência:

1) Ultraman Tiga – A Odisséia Final (2000): O melhor trabalho de direção de atores que já vi num tokusatsu. Apesar da presença forte da Cap. Iruma (Mio Takaki), é Rena (Takami Yoshimoto) quem rouba a cena com uma atuação sensível e inspirada. Os vilões são ótimos, a produção é esforçada e a trilha sonora, que já era boa na TV, ganha ares cinematográficos. Drama e romance convincentes para quem não é mais um adolescente que fica só esperando a hora da luta. Aliás, as cenas de luta são ótimas, mas neste caso, nem precisavam ser.

2) Kamen Rider ZO (1993): Tenso, bem dirigido e com lutas e efeitos especiais espetaculares para a época, além de monstros assustadores e um herói carismático à moda antiga. Uma luta do herói contra o vilão Doras, que mostra uma longa tomada de cena única em que eles trocam golpes pelo cenário, é impressionante. Na época, ganhei o VHS original, que foi copiado exaustivamente e assistido dezenas de vezes, sem exagero.

3) Ultraman Tiga, Dyna e Gaia – Operação Superdimensional (1999): Duas crianças adoráveis carregam o filme nas costas e criam o fio condutor de uma poderosa aventura de Gaia. Geralmente não gosto de crianças em apuros, que aparecem aos montes no tokusatsu, mas neste caso escolheram atores-mirins de grande talento. As aparições de Tiga e Dyna acabam meio gratuitas, mas vê-los juntos pela primeira vez causou impacto na época.

4) Godzilla Final Wars (2004): Assistindo, dá pra entender como gastaram 35 milhões de dólares num tokusatsu. Nenhum filme do gênero jamais custou tão caro. O filme mais novo dos Ultras não chegou a custar 5 milhões. Monstros clássicos, vilões saídos dos anos 60, mas com um toque moderno, atores canastrões (como o lutador Don Frye falando só em inglês com os japoneses) e a maior orgia de destruição jamais vista no cinema japonês. É um filme insano e por isso mesmo, muito divertido.

5) Ultraman Mebius & Ultraman Brothers (2006): Um encontro de gerações histórico! Uma história simples e que não cansa. Atmosfera, interpretações e ação bem dirigidos e que dão grande regularidade ao filme. O tempo transformou os veteranos em atores ainda mais carismáticos. Pelo excesso de computação gráfica ruim, por pouco esse filme não cai fora da lista.

Lembrando que até o momento em que escrevi esta lista, ainda não havia assistido ao Chou Ultra 8 Kyodai (ou Superior Ultra 8 Brothers), a mais recente produção dos Ultras. Depois que eu assistir, comentarei aqui.


Minhas 10 séries favoritas by nagado
dezembro 4, 2008, 5:01 pm
Filed under: Nagado, Papo

Outro dia, publicamos uma lista das 10 produções tokusatsu mais importantes na nossa opinião. Mas aquela era uma lista baseada em pesquisa e conhecimento do assunto. Como listas são divertidas de se fazer, resolvi criar uma com minhas 10 séries preferidas, baseadas somente em gosto pessoal (que pode variar de tempos em tempos). Depois, farei uma com os 10 movies ou filmes de cinema preferidos e convido os colegas de blog a fazerem o mesmo.

Eis minhas 10 séries tokusatsu favoritas, em ordem de preferência:

1> O Regresso de Ultraman (Kaettekita Ultraman, 1971) A série mais emocionante do tokusatsu. Personagens, histórias, trilha sonora, tudo funcionava incrivelmente bem. Definiu a idéia de Família Ultra e teve vários momentos antológicos.
2> Ultra Seven (1967) Uma série que elevou o tokusatsu a um patamar cult. O herói mais carismático de todos, em uma série que não envelheceu, dando um banho de inteligência em quase tudo o que foi feito depois.
3> Ultraman (1966) Grandes aventuras e uma equipe de investigadores que agia como uma divertida família. Clássico absoluto e uma série realmente experimental em seu tempo, definindo um gênero e um estilo.
4> Kamen Rider Black (1987) O melhor primeiro episódio que um seriado pode ter. Tenso, dramático, incrivelmente bem dirigido. O resto da série ainda rende momentos poderosos, como os encontros do herói com seu rival Shadow Moon.
5> Metalder (Chojinki Metalder, 1987) – O sofrimento poucas vezes foi tão poético. E poucas vezes um império do mal foi tão ameaçador.
6> Ultraman Mebius (2006 – inédito no Brasil) – Nostalgia é pouco nessa série moderna que liga as séries Ultra originais.
7> Ultraman Tiga (1996) – Sem grandes inovações, mas com muita competência na criação de boas histórias. O arco final de histórias rivaliza com os maiores clássicos do gênero.
8> Jaspion (Kyoju Tokusou Juspion, 1985) – Um herói estiloso, elenco de apoio com Junichi Haruta e Hiroshi Watari, músicas legais e um roteiro com situações variadas. E vilões carismáticos. Também foi a série que me fez redescobrir o interesse no gênero.
9> Robô Gigante (Giant Robo, 1967) – Fazer parte de uma organização secreta com um uniforme bacana e poder controlar um robô gigante superpoderoso era o sonho de qualquer garoto. E musiquinha em versão assobio grudava no ouvido por horas.
10> Changeman (Dengeki Sentai Changeman, 1985) – Produção incrivelmente tosca e personagens incrivelmente legais. Mais motivos pra essa série constar na minha lista? Hayate e Ozora aprontando confusão. Change Dragon x Buba. Músicas cantadas pelo Kageyama.
E você? Quais suas séries preferidas?


Zebraman – Deu zebra no cinema japonês by nagado
novembro 24, 2008, 3:50 pm
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zebraman_wallpaper1

No mundo dos super-heróis, uma infinidade de animais já serviu de inspiração para os mais variados tipos de guerreiros e vigilantes uniformizados. Morcegos, aranhas, panteras, aves de rapina e outras criaturas já deram origem a heróis marcantes, sempre ressaltando aspectos de força, agressividade, mistério ou imponência. Com tudo isso, alguém imaginaria um herói inspirado numa… zebra? No Japão, sim, pois Zebraman – acredite se quiser – foi o título de um longa de tokusatsu lançado nos cinemas japoneses em 2004.

A CRÍTICA

A trama de Zebraman apresenta um frustrado professor chamado Ichikawa (vivido pelo ator Sho Aikawa), que vive com uma família desagregada na turbulenta Tóquio do ano 2010. Sua esposa o ignora, a filha faz programa e o filho caçula tem vergonha dele. Para fugir de tudo isso, ele se refugia em seu herói de infância, cuja série de TV fora cancelada há vários anos sem explicação. Fantasiado de Zebraman, herói de um seriado do qual ele era fã, o professor brinca como criança. Até que conhece um aluno paraplégico que também é fã do herói e resolve mostrar sua fantasia a ele, saindo fantasiado no meio da noite. Ele presencia um crime e sua carreira como super-herói de verdade começa de um jeito que nem ele entende direito.

O menino é filho de uma bela enfermeira viúva, interpretada por Kyoka Suzuki, que rouba a cena com sua ternura e discreta beleza. E o novo Zebraman vai demonstrando cada vez mais força e poderes reais, tentando salvar as pessoas da cidade, ameaçadas por estranhos acontecimentos envolvendo aliens malignos que dominam corpos e mentes e almejam conquistar a Terra. A produção é boa e chega ao ponto de mostrar cenas do seriado fictício do tal Zebraman, com música-tema (cantada por Ichirou Mizuki) e tudo o mais. Em cenas rápidas, aparece o veterano dos seriados japoneses, Hiroshi Watari, na pele do herói televisivo. No Anime Friends 2003, Watari anunciou orgulhoso que iria viver o herói principal do filme, que seria filmado assim que ele retornasse ao Japão. Acho que ele próprio deve ter ficado meio decepcionado com a participação-relâmpago que acabou tendo.

Sho Aikawa está perfeito como o professor que vira herói e se torna tanto mais responsável com seus poderes quanto fica mais infantil. Com uma premissa interessante e grandes talentos envolvidos, tinha tudo para ser um grande e divertido filme, o que não aconteceu.

O problema de Zebraman são os furos no roteiro. Coisas mal explicadas, situações que não são concluídas e furos e mais furos. Um bebê que nasce verde e não se mostra o que houve depois, uma turma de crianças dominadas pelo aliens fazendo arruaças e que não aparece ou se menciona o que acontece com elas e por aí vai, fora os poderes do herói, que nem explicação mágica ou forçada têm. Eles aparecem e pronto. Há também um monte de situações mal exploradas, como a tênue atração entre a jovem viúva e o professor, que se infantiliza cada vez mais em seu papel heróico. Ele assume a criança sonhadora que existe dentro de cada um de nós e joga isso para o mundo real, seguindo os passos de seu herói de infância com superpoderes reais.

Seria o filme uma homenagem, uma sátira ou uma grande tiração de onda do diretor e do roteirista em cima de todo mundo? Difícil saber. No final, ficam algumas boas intenções, algumas cenas interessantes, um herói com visual bacana. E só.

Não sei se o filme ainda será lançado (oficialmente) por aqui, mas não será uma grande perda se não for.



Antes de mais nada… (parte 2) by nagado
novembro 24, 2008, 2:41 pm
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Se você chegou aqui por acaso ou quis dar uma espiada pra saber que diabos quer dizer tokusatsu (o tema deste blog), leia este tópico com atenção. Tokusatsu (pronuncie “tokussatsu”) é a palavra japonesa que define os efeitos especiais. Ou “defeitos especiais”, se a imagem que vem à sua mente é a de um monstro de borracha colocando uma Tokyo feita de maquetes de papelão e massa de waffer abaixo.

Um dos pilares da hoje popular cultura pop japonesa, os filmes e seriados de tokusatsu (National Kid, Godzilla, Ultraman, Jaspion, Jiraiya, Changeman…) marcaram a vida de muita gente, mas não é só nostalgia que nos motivou a criar este blog. Afinal, pra mim e para o Ricardo, tokusatsu faz parte da vida profissional. De forma parecida com a do Ricardo, m

inha trajetória profissional também deve muito aos coloridos heróis nipônicos. De tanto gostar deles em minha infância, quis criar os meus próprios. Mas o caminho foi árduo e, tentando fazer quadrinhos, acabei enveradando pela ilustração e diferentes aplicações de técnicas de desenho.

Também escrevi muito sobre eles. Seja os roteiros que publiquei sobre Flashman, Changeman, Sharivan e outros nas editoras Abril e EBAL, seja as muitas matérias que assinei na revista Herói e no site Omelete. Me envolvi com muitos outros projetos ligados ao tokusatsu e a cultura pop japonesa no Brasil. Mas minha ligação com o assunto vai muito além do dever profissional. Afinal, eu fui lidar com o assunto por gostar dele. Mas que ninguém pense que isso é o grande foco de meus interesses.

Não sou fã de nada, detesto a palavra fã – que lembra fanático, fanatismo e não coleciono rigorosamente nada, e sempre tive múltiplos interesses. Além de trabalho, gosto de conversar sobre política, música, Beatles, bandas dos anos 80, Fórmula 1, Monkees, J-Pop, ufologia, parapsicologia, comportamento e outros assuntos. Mas pouca coisa me empolga tanto quanto acompanhar as novidades de algum filme novo do Ultraman ou relembrar aquela batalha antológica em que algum herói “X” mandava um monstro “Y” comer grama pela raiz. O assunto é uma delícia e nunca se esgota.

Por isso, esperamos que este blog seja para você o que é para nós: um espaço despretensioso e repleto de nostalgia, curiosidades e muita informação sobre um assunto divertido e – cof cof – cultural.
Aguardamos seus comentários!