ROBÔ GIGANTE


O que o tokusatsu ainda pode nos dizer by rodguerrino
novembro 26, 2008, 3:56 pm
Filed under: Guerrino, Papo

Dia desses, talvez por causa da proximidade do Natal e pela data pregar a paz entre todos os povos, o que vem se tornando um sonho distante e irreal, eu lembrei ao acaso de um episódio do Ultra Seven que marcou muito a minha infância, mais precisamente o 26, chamado Chô Heiki R1, ou Super Arma R1, que mostrava o poder destrutivo de um foguete desenvolvido pelo Exército de Defesa da Terra. O problema é que para testar a arma ela é lançada na Estrela Gieron, sem que fosse feita qualquer pesquisa se lá existia algum tipo de vida nativa.

A experiência é testemunhada com euforia pelos militares, a equipe científica e pela própria Patrulha Ultra, sendo que Dan Moroboshi, alter-ego do Ultra Seven, é o único da equipe contrário à forma de conduta do teste.

Enfim, prevalecendo a insensatez, o planeta Gieron é reduzido a poeira espacial, só que entre comemorações pelo sucesso da empreitada, chega à Terra o Monstro Estelar Gieron, uma ave alienígena gigante em cujas asas repousam lâminas cortantes capazes de rivalizar com o Eye Slugger do Seven. E adivinhem só de onde veio o Gieron? Nem é preciso dizer que o Ultra tem o maior trabalhão para acabar com o monstro, muito a contragosto, diga-se, ganhando inclusive um ferimento que imobiliza seu braço direito.

Lembro-me como se fosse ontem, de Dan, no final desse episódio, olhar para uma gaiola dessas giratórias, onde um ratinho, incansável, a faz girar repetidamente. O pensamento do herói ao observar o roedor é uma mensagem muito bacana de paz, não só entre os próprios seres humanos, que devem prezar pelo convívio amistoso, mas também pelo modo como eles se relacionam com o restante da galáxia infinita. Uma lição de bom senso e educação, sem querer doutrinar, impor moral ou dizer que é proibido fazer isso ou aquilo, se é que vocês me entendem.

Esse tipo de texto, compromissado com ideais pacíficos, sempre permeou o conteúdo do programa, apesar da suposta violência de que Ultra Seven costuma ser acusado, afinal não é qualquer produção direcionada para “crianças” que assume desmembramentos e lançamentos de bumerangues metálicos esquartejadores e degoladores. Quando eu era criança, eram os raios luminosos e os bumerangues que importavam, hoje, o que me fascina é a mensagem de esperança, de que ainda dá tempo de mudar para melhor, coisas inocentes que faltam no mundo real quando leio as notícias do jornal ou assisto à TV. Elementos que, inclusive, estão fora até mesmo das ficções fabricadas atualmente.

Onde eu queria mesmo chegar depois de todo esse blablablá, que pode até ser considerado nariz de cera pelas pessoas, é que esse episódio sintetiza meu gosto pelo gênero. As mensagens de otimismo impressas nos tokusatsu, sejam elas para crianças ou marmanjos, que não desistem de ser crianças, apesar de a vida tentar a todo momento dizer impiedosamente a eles que a infância já passou, não costumam ser explícitas. Podem estar escondidas nos pensamentos de um personagem, em um gesto mais humano do herói principal e seus coadjuvantes.Tais princípios pode reverberar por toda uma vida e formar o caráter de um indivíduo. Admito que naquele dia torci para o Gieron vencer e a humanidade tomar jeito.

Precisamos de um pouco mais de paz

Precisamos de um pouco mais de paz


3 Comentários so far
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Confesso que os detalhes da história haviam se perdido na minha memória – só o que lembrava deste episódio foi a morte brutal da criatura do espaço.

Foi só neste ano que pude rever a série completa, e realmente este episódio é um dos melhores, principalmente em termos dramáticos.

O curioso é que Ultra Seven foi um seriado que traduziu muito bem o clima de paranóia da época em que foi feito, ecoando os temores da Guerra Fria.

Já li em alguns sites que o roteirista principal de Ultra Seven, Tetsuo Kinjo, enfatizava o tema das invasões como uma metáfora às ambições expansionistas das duas superpotências de então – especialmente os EUA, que ocuparam Okinawa, terra natal do escritor, quando este era jovem.

A grande jogada é que neste episódio (que não foi escrito por Kinko, mas por Bunzo Wakatsuki), nós fomos os vilões imperialistas. Essa idéia ainda seria abordada sob outra ótica no episódio 42, “O Mensageiro de Nonmalt” – este sim, escrito por Kinjo.

Comentário por Ricardo Cerdeira

Excelente post, Rodrigo! São muitos episódios de Tokusatsu que possuem uma mensagem forte como essa do Seven. Eu diria até que são tantas que daria até pra escrever um livro só de episódios marcantes com mensagens a serem refletidas. Mas pegando esse gancho específico aí, lembro que certa vez vi uma crítica parecida com relação ao Spectreman. Se eu achar essa história em algum lugar, posto aqui

Comentário por Bruno Seidel

achei:

http://chester.blog.br/200201.html (Texto sobre o Dr. Gori)

Comentário por Bruno Seidel




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