Hoje em dia, quando se fala em cultura pop japonesa (termo tão na moda), a maioria das pessoas se refere à combinação mangá, animê, games, cosplay e J-Music (basicamente, J-pop, J-Rock e Animesongs). O tokusatsu tem ficado de fora da definição, mas ele sempre foi parte essencial dessa indústria pop. Nos últimos anos, o tokusatsu tem perdido esse espaço porque é, com poucas exceções, associado a programas infantilóides cujo público formador de opinião (e que não seja meramente saudosista) é cada vez menor.
O tokusatsu não precisa ser sinônimo de programa infantil, apesar de ser na maioria das vezes, numa proporção muito maior que o animê. Ressaltando que eu não acho que uma produção violenta automaticamente se torna “adulta” ou mesmo “juvenil”. Por mais que os animês dos Cavaleiros do Zodíaco mostrem litros de sangue jorrando, aquilo jamais será um produto para adultos, exceto os adultos que cresceram gostando da série. Um produto mais adulto, do meu ponto de vista, tem mais a ver com uma visão de mundo mais elaborada. Por exemplo: um grupo de alienígenas numa espaçonave não tem condições de conquistar e controlar um país, muito menos um planeta. Quando se tem 8 anos, dá pra levar isso a sério. Já uma organização secreta que manipula pessoas para atingir seus objetivos, soa mais plausível e permite soluções menos forçadas como “vamos transformar algumas pessoas em abóboras e forçar a humanidade a se ajoelhar perante nosso Imperio, ah ah ah!!!”.
O tokusatsu como o conhecemos nasceu com o primeiro Godzilla (1954) e era um filme-catástrofe, feito para assustar, provocar reflexões e deixar a platéia boquiaberta com cenas espetaculares mesmo em um filme de baixo orçamento. Com a ida do gênero para a TV (onde encontrou seu veículo ideal) e com o passar dos anos, virou praticamente sinônimo de vitrine de merchandising e divulgação de brinquedos. As fábricas de brinquedos, aliás, foram assumindo as rédeas do controle criativo, ditando rumos e obrigando o uso de cada vez mais veículos, robôs e sub-transformações ou formas alternativas de personagens. A história foi ficando em segundo plano em relação aos apetrechos colecionáveis que são mostrados.
Particularmente, e sem correr o risco de ser saudosista demais, gosto de recordar aquelas cenas e episódios de seriados que surpreenderam, que foram além das expectativas e forneceram elementos para serem lembrados por muito tempo. As listas de filmes e séries que andamos soltando aqui, inclusive, valorizam exatamente títulos que se destacaram por seu roteiro, direção e desenvolvimento de personagens. Independente desses personagens darem origem a bonequinhos ou não.
Cabe aos produtores, roteiristas e diretores recuperar o espaço perdido para que o tokusatsu seja lembrado sempre como um dos pilares da cultura pop japonesa.
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Bizarro, mas tá rolando: o site da Marvel vai disponibilizar de graça todos os episódios da série em tokusatsu do Homem Aranha! Legal! O primeiro já está no ar. Qual será a periodicidade?
Li no Omelete.
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Os DVDs do Jaspion estão no esquema. A primeira parte da série, como muitos já devem saber, sai no final de abril.
Estou acompanhando a diagramação da arte das caixas e boxes. Tá ficando o bicho. Esse é o material atual de divulgação. Alguma coisa pode mudar ainda.







Mais um texto resgatado do Awika.
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Kido? Kido! Nationaro Kiido!

National Kid ficou imortalizado como símbolo dos heróis japoneses no Brasil. Usando trajes pra nenhum Super-Homem botar defeito (com direito a anteninha de mola na cabeça balançando pra lá e pra cá), Kid lutava usando seus precários, porém charmosos, golpes de caratê contra os Incas Venusianos. O enlatado japonês, que poderia ter passado batido, resistiu ao tempo e foi lançado este ano em DVD.
Há quatro décadas, assistir aos episódios do herói oriental era a obrigação de toda criança antes de ir para a escola. Ainda hoje, essa geração não se cansa de falar e comparar lembranças do seriado (e de, com isso, confessar a idade…).
No Brasil, o seriado desembarcou em 1962, na TV Record. Por vários anos, seus 39 episódios, que se agrupavam em quatro temporadas, foram exibidos e reprisados. Quando chegou 1968, National Kid foi levado das telas da televisão junto com boa parte do acervo que a Record perdeu num incêndio.
Os fãs do super herói só voltariam a vê-lo em 1995, graças à Sato Company que relançou 90% do programa em vídeo em comemoração ao 85o aniversário da imigração japonesa.
No entanto, parte das lembranças foram assassinadas pela nova dublagem, que não foi condenada apenas por se tratar de uma nova dublagem, mas sim por ter sido muito mal conduzida. A maior blasfêmia envolveu clássica saudação dos Incas Venusianos, Awika (com som forte no i), que foi trocada por “Ávica”. O curioso é que a redublagem foi dirigida por Emerson Camargo, dono da voz original do super-herói. Ele tinha a obrigação de saber, pelo menos, essa palavra, a mais lembrada pelo público – a menos que Emerson tenha optado em deixar a adaptação mais próxima do original, em que “Awíka” é “Àvika” mesmo, apesar disso ser pouco provável.
Mas nada disso importa para quem via o professor Masao Hata e o quinteto de crianças há 40 anos. Alugar ou comprar National Kid em vídeo era o mesmo que ter em mãos uma máquina do tempo e poder usá-la a qualquer hora.
O relançamento da série foi um grande sucesso. Teve exposição de ilustrações no Sesc Pompéia, exibições em vários teatros e cinemas e até um bloco inteiro num Fantástico da época.
Sete anos depois, o mesmo Nelson Sato, presidente da Sato Company, lançou, em parceria com a Cinemagia, os dois primeiros volumes de National Kid em DVD, que está disponível nas lojas.
Nessa reedição, que fixou a desgastada película em formato digital, foram incluídos os treze primeiros episódios da saga, que abrangem toda a temporada dos Incas Venusianos. O que ficou estranho é a falta de opções com relação as legendas e á dublagem. No primeiro disco, só está disponível a cópia dublada e no segundo, não dá para ver outra versão se não a legendada. Mas, enfim, os episódios estão alí, a salvo de todo o mofo.

O primeiro super-herói
Não pense que National Kid foi um fracasso no Japão. Pelo contrário. Lá, o mascarado também representa um marco para a história dos tokusatsu.

Pronunciando Nationaro Kido, os famosos estúdios da Toei Company produziram o seriado, que estreou em 1960 pela emissora NET (atual TV Asahi). Apesar de ser o primeiro herói a poder voar, a revolução de Kid estava nos bastidores. O orçamento usado para a filmagem de um episódio de trinta minutos era de, aproximadamente, um milhão e quinhentos mil ienes (hoje, cerca de doze mil dólares). Isso numa época em que a média era destinar dez mil ienes por minuto às produções para a TV (lembre-se que, nos anos de 1950 e 60, a Toei investia muito mais em filmes para cinema. A televisão ainda era posta numa categoria inferior).
Esse investimento todo veio por intermédio da National Matsushita Denki (atual Panasonic), a patrocinadora do seriado. A empresa apostou num programa infantil como um imenso outdoor para aumentar as vendas de suas pilhas e bugigangas eletrônicas. A jogada foi de mestre e o objetivo foi alcançado em pouco tempo. National Kid não só carregava, ele próprio, o nome da futura Panasonic, como vivia mostrando rádios e aparelhos sofisticados com a estampa da empresa. A pistola Eroruya, que o herói usava para disparar raios, começou a ser comercializada nas lojas e foi outro grande sucesso. Era a primeira vez que as crianças podiam brincar com um apetrecho oficial de um programa que via na TV (um alívio para as donas de casa, que não agüentavam mais ver suas toalhas e lençóis recortados em forma de capa). Com isso, o merchandising, que hoje dita as regras no ramo de entretenimento, estava criado.
Além do trabalho institucional, a própria série ganhou um clima moderno e futurístico, o que atraía a audiência. Lógico, cifras a mais destacaram a qualidade da produção. As cenas de vôo, por exemplo, eram feitas em cromakey (fundo azul ou verde), o que liberava os pobres funcionários do estúdio da constrangedora função de ficar correndo com um boneco tosco pendurado num fio.
MENSAGEM ANTI-NUCLEAR
Os Incas Venusianos, liderados pela rainha Aura (devota ao deus Awika), chegam à Terra e alertam alguns cientistas para que parem as pesquisas de energia nuclear. Eles temem que os terríveis efeitos da radiação extrapolem o território terrestre e infectem outros planetas do universo. National Kid é enviado do planeta Andrômeda para defender os humanos. Aqui, ele se disfarça do cientista Masao Hata (originalmente chamado de Ryusaku Hata) e, ao chamado do rádio mágico surge onde quer que esteja o perigo. Além dos Incas Venusianos, Kid quebra o pau com os Seres Abissais, os Seres Subterrâneos e os Zarrocos.
Como a maioria dos heróis do pós-guerra, National Kid fazia um apelo para o fim dos testes nucleares. As feridas japonesas ainda não estavam totalmente cicatrizadas e, com o tokusatsu, era possível passar os ideais de paz e progresso através de metáforas bem estereotipadas (vide Godzilla, fruto de testes com radiação).
Mas essas mensagens subliminares não faziam diferença para o publico brasileiro, que estava mais interessado em saber se Kid iria ou não dar um fim em Aura e nos outros Incas Venusianos.
Curiosidade: O ator que interpretou o alter-ego humano de National Kid, Ichiro Kojima, foi trocado depois das duas primeiras histórias para estrelar filmes da própria Toei. No lugar entrou Shutaro Tatsume.


Humberto Cardoso é o autor do site National Kid Brasil, lugar onde você encontra as mais completas informações sobre o herói. Confira porque até hoje ele não desgruda do Super-Homem nipônico (não, não é bem isso…) nessa mini-entrevista:
Awika – Quais são suas melhores lembraças do National Kid?
Humberto: National Kid tem uma marca registrada na minha vida. Eu morava no Cachambi, com os meus pais e meus irmãos. Toda a família vibrava com as cenas do seriado e nós, na época com idades entre 6 a 8 anos, brincávamos, pulávamos e cantávamos a marchinha clássica. Nossos amigos da escola e da rua não ficavam de fora. National Kid, certamente, encontra-se atrelado à melhor fase da minha vida, um verdadeiro marco.
Awika – Nos anos 60 eram exibidos vários outros programas com super heróis e aventuras, como Ri-tin-tin, Batman, Perdidos no Espaço e o próprio Super-Homem. O que o Kid tinha de especial?
Humberto: Independente das cenas de ação ou dos inimigos, havia algo que, indiscutivelmente, nos cativava muito: os protegidos do Professor Masao Hata. Nós nos identificávamos muito com aquelas crianças, que viviam se metendo em confusões e sendo resgatadas pelo National Kid. O menino mais novo era incrível!
Awika – Quando surgiu a idéia de montar um site sobre o National Kid? Onde conseguiu as informações?
Humberto: Em pesquisa na Internet, há cerca de 2 anos, encontrei apenas um site que, entre outros assuntos, trazia um pequeno texto e uma única imagem do National Kid. Como eu tenho todas as fitas da série, inclusive as duas últimas, não lançadas no Brasil, resolvi capturar algumas imagens e introduzir num site da Intermega (Globo, o primeiro, praticamente em fase de teste). Aqui no Rio há inúmeros fãs do herói e consegui obter várias matérias, publicas em jornais da época. Outras informações vieram por intermédio de amigos no Japão. Conheci um rapaz, de São Paulo, webmaster do site Retrotv (www.retrotv.com.br), que demonstrou interesse na elaboração do site pelo Hpg. Na época eu não tinha conhecimentos de programação html mas, diante da gentileza dele, resolvi seguir em frente.
Awika – Para finalizar, tire a dúvida que atormenta muitos fãs: National Kid era exibido na Globo ou na Record?
Humberto: A série foi exibida na Record e, em algumas ocasiões, na Globo. Por último da extinta Rede Manchete. Há algum tempo, a série estava sendo exibida na TecSat.
Heróis de grife
National Kid ficou famoso por ter o mesmo nome da empresa patrocinadora, no caso, a National. Entretanto, existem outros programas exibidos no Japão que escancaram o nome do injetor de recursos no título. Um deles é até anterior ao Kid e ficou conhecido como “Sony-gou Soratobu Bouken” (algo como “Número Sony: A Aventura que voa pelo Céu”).

Sony-gou Soratobu Bouken
O seriado é um cult americano produzido em 57. Como, obviamente, era a Sony que patrocinava o projeto, os japoneses decidiram (ou foram obrigados) a colocar o nome da hoje toda poderosa empresa como nome principal da série, que no original chama-se Whirlybirds. Sony-gou é o helicóptero que os heróis da história, vividos por Kenneth Tobey e Craig Hill, usam para salvar pessoas feridas, levar remédios e até perseguir bandidos a mando da sua empresa de serviços aéreos.
Há algumas décadas, diferente de hoje, cada produção costumava ser patrocinada por uma única empresa. Logo, era comum ver séries e animes com títulos “homenageando” quem está por trás, como Kaze no Fujimaru (Fujimaru do Vento, 1964), da farmacêutica Fujiwara Yakuhin ou Harisu Senpu (Harisu Redemoinho, 1966), custeado pela Harisugamu, de produtos manufaturados.

Kaze no Fujimaru
Um live action do final dos anos 50 mostrava um herói cômico chamado Tonma Tengu (Goblin Tolo) falando : “meu sobrenome é Oronain e meu nome é Nakou!”. Acontece que Oronain Nankou é o nome da pomada que a empresa farmacêutica Otsuka Seiyaku, patrocinadora da série, fabrica (até hoje é o seu principal produto). Em Alah no Shisha, de 60, apoiado pela Kabaya Shokuhin (alimentícia), o protagonista lutava para defender um nobre, descendente do reino de Kabayan. O nome do nobre era Kokonuts, referência ao delicioso Kokonuts Caramel, famosa guloseima feita pela empresa.
Se hoje isso parece bizarro ou até mesmo engraçado, na época era natural. Afinal, era preciso capitalizar!

Tonma Tengu
Encontrei aqui um CD com todos os textos que foram publicados no site Awika! – revista virtual sobre tokusatsu que toquei com o Rodrigo em 2003. Era um tesão fazer esse site. Tinhamos liberdade total pra construir tudo do jeito que imaginávamos. Fazíamos tudo sozinhos; texto, diagramação, edição. Era pelo amor a camisa. Não ganhávamos nem um centavo. Depois de um tempo, com o trabalho apertando, começou a ficar difícil colocar tudo no ar dentro da periodicidade que a gente se propôs a cumprir. O volume do material era enorme e só interessava manter o site se fosse para continuar naquele formato – visual bacaninha, várias seções, bastante conteúdo. Uma pena mesmo. Quem sabe um dia dê coragem de encarar um projeto desses outra vez.
Por hora, vou republicar alguns textos que fiz pra lá. Começo pela capa da terceira, e última, edição virtual. Talvez essa tenha sido a maior matéria que eu já escrevi na vida. Sério! Fiquei semanas debruçado sobre o texto, colhendo detalhes, fuçando… Fui fundo. Esmiuçei todas as temporadas de Power Rangers até Força Animal com riqueza de detalhes e boxes adicionais. Pra poupar a barra de rolagem ai do lado, vou deixar de lado as temporadas e colocar aqui só o texto inicial, mais geral.
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O Impérío Sabam
10 anos de Power Rangers

Opiniões pessoais à parte, fato é fato: a Saban Entertainment, produtora dos Power Rangers, foi a grande responsável pelo estabelecimento da indústria do tokusatsu no ocidente (entenda por indústria, neste caso, a interação entre um gênero televisivo duradouro, um extenso leque de produtos agregados e uma poderosa campanha de marketing projetando tudo isso). A grife criada em 1993 pelo empresário Haim Saban, que consiste em aproveitar as cenas prontas dos Super Sentai japoneses recentes e mesclá-las a filmagens feitas nos EUA, foi um fenômeno de audiência quando estreou e continua se renovando até hoje, dez anos depois. Isso numa época em que, principalmente se tratando de programas de televisão, as coisas costumam ser muito mais efêmeras.
No Brasil, o seriado também estreou em 1993, na Fox. Depois, migrou para a Fox Kids e, finalmente, foi para a Globo, onde passou a ser o líder de audiência dos programas infantis da emissora. Foi uma época de glória para os importadores tupiniquins, que traziam os brinquedos da série antes de qualquer empresa oficial se mexer (já que, como nos EUA, aqui também ninguém esperava que o sucesso do quinteto chegasse a tanto).
Apoiado no sucesso dos Rangers, Haim Saban tentou emplacar outros programas na mesma linha, como VR Troopers e Beetle Borgs, mas nunca chegou perto de superar a sua primeira empreitada (falaremos deles na próxima edição).
QUEM É HAIM SABAN?

Muitos vão se surpreender ao saber que Haim Saban começou a carreira como músico. Israelita, Saban passou uma parte da infância no Egito e depois se mudou para França, onde estabeleceu a Saban Records. Lá, no fim da década de 1970, ele era responsável pela trilha sonora de vários desenhos. Ao mesmo tempo, Saban também licenciava produções japonesas no país. Em 1978, ele trouxe o animê que se tornaria um grande hit em toda a Europa: Ufo Robo Grandizer. Também produziu a versão francesa de Message from Space, da Toei, que ganhou o título local de San Ku Kai (!). Nos anos de 1980, o empresário comprou os direitos Policial do Espaço Gavan e Super Electron Bioman, que foram fenômenos de audiência e popularidade e, hoje, são os dois tokusatsu mais cultuados na França (como se fossem a dupla Jaspion/ Changeman de lá). Na mesma década, ele se mudou para Los Angeles e fundou a Saban Enterteinment, por onde é creditado, junto com o também israelita Shuki Levy (que também atuou em Power Rangers) em várias trilhas sonoras de desenhos animados, incluindo cults, como He-Man e She-Ra.
Em 1986, Saban tentou emplacar Bioman nos EUA, propondo uma gigantesca campanha de marketing junto à companhia de brinquedos Galoob Toys, mas a tentativa acabou não dando certo. Foi com o desenho Macron-1 (que juntava dois animes nipônicos: Missão Espacial Strungle e Deus da Guerra Civil Go Shogun), que Saban começou a comer pelas beiradas o poderoso do mercado americano. O programa teve uma certa aceitação, mas não tanta quando seu próximo lançamento, Saber Riders e os Xerifes Estelares , que foi exibido no Brasil pelo SBT (desta vez, a base foi o animê Cavaleiros Estelares Bismark). Mas o desenho que ergueu a Saban nos EUA não era calcado em nenhuma produção japonesa, apesar de a animação ter sido produzida, em parte, por lá: Inspetor Bugiganga, também exibido aqui pelo SBT.

O contrato de exclusividade entre Saban e a Toei Company foi o maior trunfo do empresário depois do estouro de Power Rangers, pois muitos outros licenciantes tentaram trazer para os EUA programas similares para aproveitar a onda e faturar alguns trocados. No entanto, quando isso acontecia, Saban jogava seu contrato com a matriz na mesa e resolvia o impasse. Diante da impossibilidade em adquirir os direitos de Battle Fever J, o canal USA Network decidiu produzir seu próprio “sentai” para brigar com os Rangers, o Jovens Tatuados de Beverlly Hills, que o SBT mais uma vez nos ajudou a conhecer. Contudo, a série era extremamente precária e foi um fracasso retumbante, inclusive no Brasil.
O parceiro de longa data de Saban, Shuky Levi, deixou a empresa e fundou a DIC, que se mancomunou com a Tsuburaya Productions em 1994 na produção de Super Human Samurai Cyber-Squad, versão americana de Super-Homem Eletrônico Gridman. Haim Saban tentou impedir que seu companheiro competisse com ele, mas não conseguiu, visto que as empresas japonesas com que eles tinham contato eram diferentes. O que o criador dos Power Ranger exigiu foi a mudança do título, que no começo estava planejado para ser Power Boy. De qualquer forma, o seriado, visto aqui pela finada TV Manchete, afundou em poucos meses (a Sato Company detém os direitos da série no Brasil).
Durante uma década, a Saban Enterteinment e os Power Rangers cresceram muito. Com a ajuda de profissionais renomados do tokusatsu japonês, como diretores, dublês, etc, que passaram a atuar regularmente no seriado, a empresa desenvolveu de tal forma sua criação a ponto de, hoje em dia, serem necessárias muito poucas cenas da versão original para compor o produto final.
Muitos desgostam, mas a verdade é que a Saban aprendeu a fazer tokusatsu de qualidade, sim, a ponto de, hoje em dia, não dever nada, ou quase nada, à matriz japonesa (ah sim, sempre sobram algumas gargalhadas coletivas no fim dos episódios e piadinhas de retorcer o estômago no meio das lutas, mas esses são americanismos incorrigíveis…). A Saban chegou a um nível em que poderia muito bem deixar as versões originais em paz e começar a criar seus próprios heróis, que, com certeza, só viriam para somar ao gênero dos tokusatsu. Só que a parceria com a Toei Company é extremamente rentável para ambas as partes, e, como dizem, não se deve mexer em time que está ganhando, certo? Para a Saban está certíssimo.
A TOMADA DO OCIDENTE

Os Power Rangers são fruto de uma série de tentativas e idéias da Saban e da Toei de cativar a audiência do ocidente com a fórmula nipônica. Para entender a história toda é necessário que se volte vinte e dois anos no tempo. Em 1981, a Toei International de Los Angeles, subsidiária da Toei Company, tentou dar o primeiro passo rumo à internacionalização de seus heróis. O objetivo era produzir uma versão americana para o sentai Esquadrão Solar Sun Vulcan, o quinto programa do gênero, tendo-se o conhecimento de que alguns seriados japoneses eram exibidos em canais UHF locais dos EUA com certa aceitação. O produtor Susumu Yoshikawa, figura lendária dos tokusatsu, especialmente dos super sentai em que produziu entre muitos, o Goggle Five, estava trabalhando em Sun Vulcan e chegou a ser cogitado para ir até os EUA supervisionar pessoalmente todo o projeto de adaptação e lançamento da série por lá. Acabou que a tentativa foi inviabilizada devido a impossibilidade de vender o seriado às emissoras de TV americanas. Não existia espaço nem tradição que sustentasse uma atração daquelas.
O plano da Toei Internacional, apesar de frustrado, já deixava claro o interesse da empresa em exportar os Super Sentai. Recém-saída da década de 1970, tempos de glória para a indústria do tokusatsu, a produtora já não pisava mais em ovos. Já tinha conhecimento o suficiente do poder de fogo de seus personagens e do seu estilo de entreter. Mesmo sabendo das diferenças culturais enormes existentes entre Japão e EUA, o estúdio percebeu que a fórmula nipônica poderia dar muito certo na terra do Tio Sam. No entanto, o resultado frustrado da empreitada mostrou que eles estavam doze anos adiantados.
O tempo correu e, em 1987, Haim Saban chegou junto à Toei com a idéia de produzir uma versão americana de Metalder, o Homem-Máquina, o que não deu certo. A partir dos anos de 1990, o foco da empresa passou a ser licenciar, adaptar e distribuir séries japonesas no mercado americano. O empreendedor retomou as negociações com a Toei Company e sugeriu desta vez americanizar o então mais recente super sentai da produtora, Esquadrão Jurássico Jyuranger, de 1992. Saban explicou que as crianças americanas poderiam ficar confusas vendo cinco japoneses como protagonistas e contou seus planos de substituí-los por atores estadunidenses. A Toei estava ciente do problema topou as alterações propostas por Saban, firmando assim a parceria entre as duas empresas. Faltava agora convencer as emissoras de TV, o passo mais difícil de ser dado.
Inovar nem sempre é fácil. A falta de tradição às vezes pode se tornar uma barreira quase intransponível. Haim Saban cansou de apresentar a série a executivos de grandes emissoras, mas a estranheza dessa gente ao olhar para o seriado sempre acabava desovando num doloroso “não”. Nos EUA, existe um forte consenso entre os poderosos tomadores de decisões das emissoras de televisão sobre o que é apropriado para as crianças e o que não é. E essas pessoas acharam que um seriado como Power Rangers não sobreviveria uma semana no ar em plena época dos glamurosos e multibilionários efeitos visuais.
As portas só se abriram quando a série chegou nas mãos de Margaret Loesch, da Fox Children´s Network. Ela disse: “Todos, incluindo o meu chefe, disseram: isso é um lixo!”, mas completou, “esse programa pode ser mal feito, mas tem personagens extremamente criativos”. A Fox Childen´s Network defende que as crianças gostam de diversidade de entretenimento, assim como os adultos. Naquele tempo, o canal exibia desenhos de super heróis, como X-Men e Batman: The Animated Series e comédias como Animaniacs ou Tiny Toons. Por serem diferentes de tudo o que existia até então, os Power Rangers ganharam um horário da grade da emissora. Imediatamente, os cinco heróis viraram um fenômeno de audiência sem precedentes. Logo na primeira semana, exatamente no dia 30 de outubro de 1993, conseguiram uma marca história de 25.1 pontos no Ibope. Com isso, Mighty Morphin Power Rangers ganhou o título de programa infantil mais assistido da história da TV americana.
Os brinquedos da série, lançados pela Bandai, também săo parte do sucesso da marca. As miniaturas dos heróis, que mudavam a cabeça entre a versão civil e a transformada do personagem, além de brinquedos com os os Zords, os vilões e etc, fizeram a criançada pirar de vez. Apesar da falta de experiência no negócio, a Saban conseguiu aos poucos seguir a mesma estratégia de marketing agressivo dos japoneses: a de sincronizar o lançamento dos brinquedos com a exibição na TV. Com isso, depois que o garoto assiste os Rangers ganhando um novo robô, por exemplo, ele vai encontrar nas lojas todos os brinquedos referêntes àquela fase. No Japăo, não só brinquedos, mas o lançamento de jogos de videogame, revistas em quadrinhos, especiais de cinema, CDs de música, cards, e mais uma lista de bugigangas relacionadas ao respectivo personagem ou marca já estão todas planejadas antes da série entrar no ar.
O planejamento sobre em que momento cada item deve ser lançado também é minuciosamente estudado, o que faz a criança consumir tudo o que vê pela frente.
Essa lavagem cerebral foi adaptada à realidade americana e sendo aperfeiçoada ano a ano. Foi graças as a esta interação de mídias que os Power Rangers estão vivos depois de dez anos – nenhum outro programa infanto juvenil esteve por tanto tempo no ar e sempre com boa audiência.
NOVOS RUMOS

Em 1995, a Saban Entertainment e a News Corpotation firmaram uma parceria que beneficoiu cada parte com 49,5% das ações de toda a família Fox, a Fox Family Worldwide (o 1% que sobrou ficou com a Allen & Company Inc.). No final de 2000, Saban quis vender sua parte para News Corp, mas a empresa já estava satisfeita com a sua porcentagem. Noentanto, pouco depois, foi decidia a venda de toda a companhia para a Disney. O negócio foi fechado no começo de 2001. O império fundado pelo pai de Mickey pagou, em dinheiro vivo, três bilhões de dólares pela Fox Family Worldwide e assumiu mais dois bilhões em dívidas, totalizando a desconcertante quantida de cinco bilhões de dólares.
Em troca, a Diney passou a ser dona da Saban Enterteinment e todas as suas 6.500 horas de programação infantil que chegam até 25 milhões de pessoas espalhadas por cinquênta países, em 15 línguas. No pacote também veio o Fox Family Channel, canal a cabo que atinge cerca de 81 milhões de assinantes. A Fox Kids ficou de fora da negociação. Em outubro deste ano, Haim Saban comprou a KirchMedia, empresa de TV cujas emissoras dominam cerca de 24 % de toda a audiência da Alemanha.
Enquanto isso, os Power Rangers continuam caminhando com força total nas manhãs de sábado rede ABC sem data para chegarem ao fim…
(Awika! no. 3 – 2003)
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Li agora pouco no G1 (!) uma matéria sobre o fim da série Insector Sun, o mais conhecido tokusatsu feito no Brasil. É uma pena. Além de Ribeirão City agora estar desamparada, a série criada pelo Christiano Silva fez história e divertiu muita gente – eu incluso. Lembro de sempre receber um CD com o episódio mais recente quando trabalhava na Conrad. Era sempre uma festa. Viamos na redação e, quando chegava em casa, assistia até o fim.
Era legal! E eu achava promissor. Lembro de ter comentado com não lembro quem que o Insector Sun podia seguir os mesmos passos do France Five, que começou com produção tosca e terminou com tratamento profissa e passando na televisão – teve até música cantada pelo Kushida. Infelizmente me enganei. O problema é que aqui no Brasil ninguém se interessa em patrocinar esse tipo de iniciativa. Ninguém entende o que é. Ainda mais fora das cidades maiores. Tenho certeza de que não foi por falta de ir atrás do Christiano.
Tá, ele mora longe, tem que trabalhar, não tem tanta experiência na área e tal… Mas, pô, Insector Sun é a versão brazuca do Jaspion! Ele representa o que toda uma geração de pessoas com seus 25, 30 anos assistia quando era moleque. Brinca com a cultura pop. Todo mundo saca. Se alguém lá na cidade desse uma força, uns trocados, o Christiano poderia produzir melhor, de repente até colocar alguma coisa nos canais locais, que estão sempre procurando o que passar. O Insector seria o justiceiro oficial de Ribeirão Preto! Olha só que legal.
Seria tão inusitado que repercutiria até no Japão, do mesmo jeito que o France Five repercurtiu. Poderia render umas matérias em revistas especializadas lá, gerando mais divulgação. Vai saber o que poderia rolar. Mas nada disso vai acontecer. Sem ninguém pra dar uma força – tô falando de tutu mesmo – o Insector Sun já matou quem tinha que matar e voltou pra sua casa, preocupado em pagar o aluguel e ralar todos os dias.
É uma pena mesmo. Mas eu ainda quero ver uma futura segunda temporada. E que apareçam mais heróis nipo-tupiniquins. Que seja tosqueira mesmo. O importante é gostar de tokusatsu e encher de referências bacanas. O Hideaki Anno começou fazendo tokusatsu amadores. E não estou falando de Dai Nippon, que é ajeitado. Eu sei que o Brasil não é exatamente o terreno mais fértil para alguém conseguir incentivo para desenvolver um projeto cultural independente desses. Lá fora dá muito mais certo. Mas não custa tentar, né?
Olha só o texto do G1:
Jaspion ‘made in Ribeirão Preto’ chega ao fim da carreira
Professor de kung fu criou história inspirada em séries japonesas.
Sem patrocínio, episódios deixarão de ser filmados.O nome do personagem, “insector”, foi inspirado no louva-a-deus, um estilo do kung fu, e o “sun” é uma alusão ao forte calor de Ribeirão Preto. Por causa desse calor, as filmagens geralmente são feitas no meio do ano quando o clima na cidade é mais fresco e os atores não ficam suando muito dentro das fantasias.
O mocinho é politicamente correto e não usa armas. Combate seus inimigos com os poderes de seu corpo como a capacidade de dar saltos de até 30 metros, um chute destruidor e um punho solar que dá força ao golpe com a mão. Seu automóvel é a moto insector turbo, que se movimenta sozinha para ir a seu encontro.
O fim da série deve deixar órfão o público infanto-juvenil que sempre acompanhava o episódio nas exibições em Ribeirão Preto e também os adultos que gostaram de ver um jaspion à brasileira. Os trechos dos filmes postados no YouTube foram vistos mais de 30 mil vezes.
Cada episódio levou três meses para ser filmado (Foto: Divulgação )
Silva conta que gastou cerca de R$ 1 mil para fazer cada episódio. O dinheiro foi usado para confeccionar fantasias e cenários. Os atores são amigos, alunos de escolas de teatro da cidade e da academia onde ele dá aula de kung fu. Todos atuam como voluntários, sem receber nada pelo trabalho. Até dezembro do ano passado, Silva trabalhava também como webdesigner e tinha uma renda mensal que variava entre R$ 1.000 e R$ 1.500. Agora, só com o emprego de professor, recebe cerca de R$ 500 por mês. Ele mora em um conjunto habitacional com a mãe e tem que ajudar a pagar as contas de casa.
Cada episódio tem duração de 30 a 40 minutos e levou cerca de três meses para ser filmado. Isso porque os atores voluntários só podem atuar nos finais de semana, pois trabalham ou estudam nos dias úteis. É Silva quem filma, edita e divulga o filme.
“Só ganhamos algum dinheiro quando somos chamados para animar festa infantil com os personagens do Insector Sun, mas isso não é o foco do nosso trabalho”, diz, desanimado, o idealizador da série que terá de encerrar as aventuras do herói de Ribeirão City. “Estou triste, frustrado, mas consegui fazer sozinho os 12 episódios. As pessoas patrocinam tanta coisa e não querem investir num filme”, queixa-se. Se encontrar um patrocinador, Silva diz que continua a série.
Quando não está combatendo o crime, o herói brasileiro faz bicos para sobreviver (Foto: Divulgação)
O professor conta que teve a idéia de criar a série porque gostava muito dos seriados japoneses como Jaspion e Jiraya e queria fazer algo com características nacionais. O mocinho da série, Kri Lee, por exemplo, não tem emprego fixo e faz bicos para se manter como vários brasileiros. “Ele rala para sobreviver, não é como o Batman que é rico e resolve virar super-herói”, diz. Quando percebe que a cidade está ameaçada ele se transforma em Insector Sun para combater as forças do mal. Além de Shaken, o herói também enfrenta outros inimigos que mudam a cada episódio.
Calor
O nome do personagem, “insector”, foi inspirado no louva-a-deus, um estilo do kung fu, e o “sun” é uma alusão ao forte calor de Ribeirão Preto. Por causa desse calor, as filmagens geralmente são feitas no meio do ano quando o clima na cidade é mais fresco e os atores não ficam suando muito dentro das fantasias.
O mocinho é politicamente correto e não usa armas. Combate seus inimigos com os poderes de seu corpo como a capacidade de dar saltos de até 30 metros, um chute destruidor e um punho solar que dá força ao golpe com a mão. Seu automóvel é a moto insector turbo, que se movimenta sozinha para ir a seu encontro.
O fim da série deve deixar órfão o público infanto-juvenil que sempre acompanhava o episódio nas exibições em Ribeirão Preto e também os adultos que gostaram de ver um jaspion à brasileira. Os trechos dos filmes postados no YouTube foram vistos mais de 30 mil vezes.
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Seguindo, com atraso, a seção Izubuchi é foda, é a vez de mostrar umas ilustrações dele para a série Super Elétron Bioman, de 1984. Ele desenhou todos os monstros e generais inimigos do Império Gear – organização formada por seres robóticos construídos pelo cientista, originalmente humano, Dr. Man.
As cores aqui são, principalmente, o preto e o branco. Como o cenceito era “robôs”, Izubuchi pôde aproveitar a experiência que teve fazendo justamente esse tipo de design para séries em anime – o que, ao meu ver, foi bom, mas engessou um pouco algumas idéiais. E ele não ficava satisfeito só em desenhar. Dava seus pitacos no roteiro, chegou a escrever o plot de duas histórias importantes para a série (episódios 43 e 44).
Izubuchi era um otaku. Curtia esse universo pacas. Se metia em todos os estágios da produção. Quando recebeu a indicação de que teria que fazer os monstros de Bioman baseados em animais, como tinha acabado de fazer em Dynaman, ele reclamou. Não achava que combinava com a idéia de um império technológico. Por que o cientista faria seus soldados cibernéticos em forma de animais da Terra? Foi o que ele pensou. Mas não teve jeito. Os patrões ganharam e, tirando umas exceções, os robôs de Gear acabaram como bichos feitos de circuitos (de borracha!).
Eu acho que o Izubuchi em Bioman estava chegando no auge da sua criatividade, coisa que aconteceu em Changeman. Claro que o Império Gozma dava a ele muito mais possibilidades de idéias por ser formado por criaturas aleatórias do espaço – e não só robôs animais. Em Flashman, de 86, ele pôde brincar com mutações biológicas e criou coisas ainda mais horripilantes. Até Bioman, há menos liberdade e mais influência da estética dos animes. Nas seguintes, tudo tem cara de tokusatsu, desde o início.






Cada vez fico mais impressionado com a criatividade de certas pessoas e seus incríveis trabalhos originais em nome do capitalismo. Eu não sei se essa imagem já tem rolado em fóruns ou então em alguns sites da net, mas como achei essa preciosidade agora há pouco não custa nada postar aqui também. Com vocês, o super-ultra-mega-legal robô dos Kingman! Não poderia vir de outro canto senão da… Coréia! Sensacional a capacidade dos caras em surrupiar personagens mundo afora e lançá-los como autênticos heróis made in Korea. Sei lá, olhando por cima é uma mistura de Five Robo com Jet Icarus e mais alguma coisa que não sei dizer. O que me impressiona mais ainda é que o robô é pilotado pelos Changeman, ops… quer dizer… Kingman… Da hora! A propósito, onde estão Mermaid e Phoenix? Fica aí a dica de presente de Natal… não tem problema, pode surrupiar a idéia e dizer que é sua!

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Pra matar o tempo enquanto não volto de viagem, aí vai um post bobinho… Mas divertido.
Nesse site você pode se transformar num super-herói. Nada muito parecido com tokusatsu… Mas é legal. Experimenta lá.

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Não quero ficar de fora, então também fiz minha lista. A ordem não é exatamente essa, mas os programas que mais curti estão aí! Alguns ficaram de fora, provavelmente, mas os que mais me lembro no momento são esses.
1 – Kamen Rider Kuuga: ponto de transição do tokusatsu na busca por uma audiência mais exigente na TV. Mesmo com os efeitos datados (já eram na época do lançamento) o enredo e os personagens, principalmente os vilões, compensam. Desde Jaspion não aparecia um protagonista tão carismático, meio herói, meio sonolento. Esse eu lamento muito que não tenha vindo para o Brasil, mesmo com as negociações adiantadas da Imagine Action Dá Licença. Se isso tivesse acontecido talvez teria sido um boom, ou não… já que seria vendido como mais um Power Ranger, sei lá.
2 – Dairanger: tudo colabora com esta série, visual, coreografia, cenas de batalha, robôs, história e personagens. Só o fato de os últimos episódios focarem combates entre os heróis e os vilões, e não entre os robôs gigantes, já mostra o frescor de Dairanger nos anos noventa. O Clã Gohma, com sua estrutura um tanto desagregada, com reviravoltas e um líder postiço, foi um conceito muito bacana. Fora que os monstros são ridículos, no estilão Battle Fever J, com direito a botas e algumas patetices desnecessárias. No mais, me traz boas lembranças, afinal acompanhei a série na época em que saiu.
3 – Metalder: deve ter sido o climão um tanto soturno que chamou minha atenção, quem sabe o lance do Metalder ter que lutar por si só, sem a ajuda de ninguém, contra um império que já na abertura mostrava ser numeroso. Aliás, isso foi muito interessante na série, já que cortou os monstros semanais, que iam aparecendo um a um em outros programas, para logo no primeiro episódio apresentar dezenas de inimigos. Pode ser só eu, mas havia uma atmosfera de desesperança em Metalder… e não sei o porquê, fazia todo sentido para mim naquele momento.
4 – Kamen Rider Agito: Agito pegou o que já era bom em Kuuga, fez um link quase imperceptível, e ampliou a quantidade de Riders, mas sem exagerar na dose. A trama, toda enigmática, obriga o expectador a assistir a cada episódio religiosamente. Pergunta que atormenta o seriado: o que raios aconteceu com as pessoas que estavam naquele bendito (ou será maldito) navio em alto-mar? Um pouco desse tipo de mistério seria requentado mais para frente, em Kamen Rider 555. O design de monstros, também do Izubuchi, merece destaque.
5 – Changeman: eu curtia muito a estrutura militar do esquadrão, coisa que não se via no Sentai desde Sunvulcan, de 81. O visual dos monstros não seguia exatamente um padrão, o que deixava os inimigos muito variados. O arco de episódios em que a Ahames ganha o poder da Aura Energética, mais o trio monstro, é do c******! Se essa passagem, em que os Changemen tomam porrada a torto e a direito, acontecesse nas séries atuais, seria um ótimo pretexto para aparecer pelo menos 1.000 robôs com 10.000 combinações novas, e mais integrantes do sentai brotariam do solo! Além disso, tem o Gyodai, né?
6 – Jaspion: não tem muito o que falar desse. Vale por cada episódio, tirando um ou outro, quando a quantidade de criancinhas por metro quadrado passa do limite tolerável. Sem dúvida, o mais versátil dos Uchû Heroes (Gavan, Sharivan, Shaider, Jaspion e Spielvan), sem reaproveitamento de cenas e eventos que se repetem sucessivamente. O único porém é que se o Jaspion não tivesse chegado à Terra, e continuasse visitando planetas espaço afora, creio que a série teria deslanchado ainda mais. Meu palpite é que isso tem a ver com orçamento, criação de cenários etc. Outra coisa: Miya poderia ter sido pisoteada pelo Satan Goss! Fazer o que, nada é perfeito.
7 – Fuun Lion Man: ainda me lembro dos anúncios de Lion Man na falecida revista Video News, onde a Top Tape vendia o programa como sendo mais ou menos da mesma época de Jiraiya e Jiban, com efeitos especiais dos mais sofisticados. Mas isso não importa: o legal é ver o leão de pelúcia enfrentando a bolacha Trakinas dos infernos vitaminada, o Senhor Mantor do Diabo. Que série do caramba!
8 – Gavan: ser pioneiro significa que tudo o que vem depois o terá como referência. Esse é bem o caso de Gavan, uma das séries da Toei com a melhor carga de ação até hoje. A transformação do herói, o traje de combate e o salto entre dimensões são marcas registradas do programa, copiadas descaradamente por muita coisa que veio depois. Em 1982, Kenji Ohba era realmente o cara certo para o papel principal. Não costumo pegar no pé dos estúdios de dublagem, acho que o Brasil é fera no ofício, mas Gavan foi simplesmente destruído pela dublagem e pela Rede Globo. Substituir “Gavan Dynamic” por “Gaban vencerá!” ou “Gavan Laser Z Beam” por “Poderes do bem me ajudem!” é f***!
9 – Ultra Seven: estar em casa às 19h00, sintonizado na TV Record, era uma obrigação, nos idos do início dos 1980. Ultra Seven era a melhor opção para qualquer garoto com seus cinco, seis anos de idade, sem exceção. O tempo passou e o programa continua sendo tão legal e inovador quanto antes.
10 – Cybercop: um baita seriado da Toho para a TV, quando se pensava que a produtora estava morta e enterrada na criação de programas televisivos. Winspector, Solbrain e Exceedraft devem muito a Cybercop, mas não têm o mesmo carisma da turma de Júpiter e cia, apesar de contarem com efeitos melhores e uma estrutura de produção como da Toei. É claro, o final, que foi adiado, adiado, adiado na TV brasileira, poderia ter sido bem melhor.
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Na onda do Nagado, aí estão os meus tokusatsu favoritos (naquelas… Essa lista pode, e deve, mudar com o tempo):
1 – Changeman: não é só porque passou no Brasil que eu acho essa série o melhor sentai de todos os tempos. Os enredos são muito legais, rola uma interação interessante com seres extraterrestres (eles não são sempre “do mal” como de costume), o visual dos inimigos é do Izubuchi, a música do Kageyama…
2 – Fuun Lion Man: se o Lion Man Branco (Kaiketsu Lion Man) tivesse passado mais aqui, talvez eu gostasse mais dele do que do laranja. Quem sabe? Lion Man é uma grande série. Cada capítulo conta uma história boa, com detalhes, sem muita censura (tipo os primeiros Ultras), em que a aparição do herói as vezes é só um detalhe. O arco final de episódios – Shimaru indo até o esconderijo dos Mantor – é antológico.
3 – Ultraman: surpreendentemente, eu assiti mais Ultraman do que Ultraseven. Gosto pra cecete das duas séries, mas tenho um carinho maior por Ultraman, porque vi quando era moleque.
4 – Jiraiya: o que eu curto (muito) em Jiraiya, basicamente, é a certa ausência de padrão das histórias e o visual maluco dos ninjas.
5 – Kamen Rider Kuuga: não há muito do que reclamar do Kuuga. O enredo é animal, o visual é foda, a música é boa… Uma das poucas séries recentes que valem mesmo a pena.
6 – Metalder: o Império Neroz, pra mim, é uma das melhores – se não a melhor – organização inimiga dos tokusatsu. O visual criado pelo Keita Amemiya dispensa comentários. E aquele clima melancólico que embala a caminhada desordenada das tropas no front esperando o Neroz aparecer é hors concours. Puta série.
7 – Spectreman: essa é daquelas séries que ficaram melhores ainda dubladas em português. Poxa, o Karas fala coisas como “cresca e apareça, Spectreman!” ou “sua peste!”. Genial. Não que o original não preste. Pelo contrário. Nada da P-Production não presta (tirando Bôken Rockbat, talvez).
8 – Flashman: outro sentai bonzão. Até acho meio besta o lançe deles ficarem aqui choramingando atrás da família e tal. Mas Flashman tem uma porrada de episódios memoráveis. O meu favorito, um dos, é A Revolta de Kaura, em que o próprio fica puto com Mez e chicoteia o La Deus até a morte. Bom demais. Flashman é cheio de momentos assim, do mal contra o mal. Eu curto muito isso.
9 – Seijû Sentai Gingaman: Gingaman, de 98, foi uma retomada bem sucedida da Toei ao formato oitentista dos super sentai. As lutas duram mais, as histórias não são bestas, o visual é bem retrô (vinhetas desenhadas, monstros que usam botas), os robôs aparecem pouco… A luta final, contra o capitão Zeihab, acontece na pedreira clássica (tá ligado, né?)! Há quanto tempo isso não acontecia? Minha única reclamação é o excesso de fantasia dos generais inimigos. Prefiro atores com a cara a mostra do que monstros 100% de borracha.
10 – Chojû Sentai Liveman: essa série marcou forte uma época, acho que 98, em que eu ia com o Guerrino, o Michel e mais uns amigos até os confins de Pinheiros numa locadora pirata falida, chamada Sansei Club, revirar o entulho de um japonês meio moribundo atrás de tokusatsu. Encontramos praticamente tudo de Liveman lá. Alugávamos todas as semanas, na ordem, as fitas da série. Dava a sensação de estar acompanhando os episódios no mesmo ritmo de uma exibição regular na TV. Pra variar, gosto dos inimigos. A sequência final é uma das melhores dos sentai.

Caiu na net a primeira imagem do novo super sentai, Esquadrão Samurai Shinkenger, que estréia no Japão dia 15 de fevereiro do ano que vem. O visual é da hora. Os kanjis imensos como visores lembram um pouco os exageros das séries antigas do Ishinomori, tipo Jacker. Mas as boas impressões terminam ai… Pelo que li aqui, parece que o quinteto será composto de descendentes de antigos samurais que usam a força de uma coisa chamada “Hiden Disc” (Disco Secreto) para lutar contra o mal…
Ah, fala sério! Que mané descendentes que nada… Esse papo já deu, né? E esse tal disquinho misterioso… Eu gosto tanto do gênero sentai que sempre crio uma certa esperança da próxima série ser bacana. E sempre me decepciono. Quem aí acha que Shinkenger será ainda pior do que Go-Onger levanta a mão! Eu ainda tenho minhas dúvidas. Que venha o primeiro episódio!
Outro dia, publicamos uma lista das 10 produções tokusatsu mais importantes na nossa opinião. Mas aquela era uma lista baseada em pesquisa e conhecimento do assunto. Como listas são divertidas de se fazer, resolvi criar uma com minhas 10 séries preferidas, baseadas somente em gosto pessoal (que pode variar de tempos em tempos). Depois, farei uma com os 10 movies ou filmes de cinema preferidos e convido os colegas de blog a fazerem o mesmo.
Eis minhas 10 séries tokusatsu favoritas, em ordem de preferência:
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Inauguro aqui uma sessão dedicada ao Yutaka Izubuchi… Hm? Quem é? Só o cara que criou todos os designs de monstros e inimigos de Dynaman, Bioman, Changeman e Flashman. To-dos! Haja massa encefálica.
Foi assim: Izubuchi fazia os esboços dos robôs inimigos do anime “Toshô Daimos”, de 78, da Toei Animation. Quem produzia esse desenho era o Takeyuki Suzuki, que migrou para o setor de tokusatsu em 81, para fazer Esquadrão Solar Sun Vulcan. Em 82, quando ia começar Goggle Five, o Suzuki deu um alô pro Izubuchi e perguntou se ele curtiria desenhar os monstros da série. Como o homem estava muito ocupado, não pode aceitar o convite na ocasião. Mas aceitou depois, em 83, e fez Esquadrão Científico Dynaman. E só parou, em 86 (depois de terminar as criaturas de Flashman), porque foi puxado para ser mechanical designer no anime do robô Gundam ZZ – cargo que o consagrou de verdade no meio (pois é, pouco otaku que pira em animes de robôs sabe que o Izubuchi fez design de monstros de super sentai).
O cara participou, entre outras coisas, de: Patlabor, Macross (filme), Lodoss War, Gasaraki, Jinroh, Cowboy Bebop, RahXephon… Ganhou atenção da mídia, não faz muito tempo, por ter sido chamado pelas Indústrias Kawada pra fazer o design de um protótipo de robô bípede, batizado de “Promet”.
Ele voltou pro Tokusatsu em 2001, fazendo parte dos monstros de Kamen Rider Agito – que são animais. Hum… Ah! Ele desenhou um vilão no filme da Cutey Honey e fez o design do Kamen Rider The First, para o filme de cinema.
Esse ano, acabei de procurar no Google, O Izubuchi criou um personagem pro jogo Soul Calibur IV. É uma mulher que se chama Scheherazade (não sei ada de games).
O cara não é fraco. Manda bem e essa sessão aqui no blog é dele. Pra começar, posto umas ilustras de uns monstros do seu primeiro trabalho com sentai, Dynaman.
(PS: O Michel que teve o trabalho de escanear essas imagens ai em baixo há muito tempo, depois de eu encher muito a paciência dele pedindo essa matéria do Izubuchi que saiu numa Toei Hero Max! Valeu bródi!)
Ó que notícia boa! A novela mexicana que foram as negociações para trazer Jaspion em DVD pro Brasil tiveram um final feliz. Já era hora!
A Focus Filmes vai lançar o primeiro (de dois) DVD box do justiceiro em março de 2009. Os detalhes ainda estão sendo conversados. Mas a probabilidade de sair uma lata toda chique (tipo a do He-man, que também é da Focus) com camiseta e outros brindes é alta. Estou tentando emplacar também um disco de extras. Se tudo acontecer conforme o plano, teremos um lançamento de fazer inveja até no Japão – lá os DVDs saíram avulsos e sem nada de interessante a mais.
A campanha de marketing deve começar logo. Vai incluir uns mini encontros e debates. Assim que forem sendo fechados, vou publicando aqui. Mas já pode se preparar, porque 2009 tem boas chances de ser agitado pros fãs de heróis japoneses.
Edit:
Muita gente comentando! Valeu mesmo! E a pergunta que não quer calar é: vai ter a dublagem da época? Sim, vai. Podem ficar tranquilos. Ter a dublagem original era condição pra lançar o BOX. Nenhuma vez pensamos em redublar nem em colocar só legendas.
Gostei da sugestão de incluir algumas músicas da época como extra. Se não for muito complicado de conseguir os direitos (de quem será isso hoje?) seria muito legal.
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Primeiro tokusatsu propriamente dito. Estréia de Eiji Tsuburaya no gênero.
Um aprimoramento da fórmula do Ultraman, injetou doses de seriedade, drama e profundidade ao gênero.
9. Gavan (série de TV, 1982)
Primeiro Metal Hero, inaugurou uma nova era para a Toei Company. Além do visual bacana, a ação do herói antes de se transformar passou a ser quase tão importante quanto ele uniformizado.
Inaugurou o novo formato dos Kamen Rider, que pode ser considerado um novo estilo de tokusatsu (histórias mais adultas e menos fórmulas prontas).
Dia desses, talvez por causa da proximidade do Natal e pela data pregar a paz entre todos os povos, o que vem se tornando um sonho distante e irreal, eu lembrei ao acaso de um episódio do Ultra Seven que marcou muito a minha infância, mais precisamente o 26, chamado Chô Heiki R1, ou Super Arma R1, que mostrava o poder destrutivo de um foguete desenvolvido pelo Exército de Defesa da Terra. O problema é que para testar a arma ela é lançada na Estrela Gieron, sem que fosse feita qualquer pesquisa se lá existia algum tipo de vida nativa.
A experiência é testemunhada com euforia pelos militares, a equipe científica e pela própria Patrulha Ultra, sendo que Dan Moroboshi, alter-ego do Ultra Seven, é o único da equipe contrário à forma de conduta do teste.
Enfim, prevalecendo a insensatez, o planeta Gieron é reduzido a poeira espacial, só que entre comemorações pelo sucesso da empreitada, chega à Terra o Monstro Estelar Gieron, uma ave alienígena gigante em cujas asas repousam lâminas cortantes capazes de rivalizar com o Eye Slugger do Seven. E adivinhem só de onde veio o Gieron? Nem é preciso dizer que o Ultra tem o maior trabalhão para acabar com o monstro, muito a contragosto, diga-se, ganhando inclusive um ferimento que imobiliza seu braço direito.
Lembro-me como se fosse ontem, de Dan, no final desse episódio, olhar para uma gaiola dessas giratórias, onde um ratinho, incansável, a faz girar repetidamente. O pensamento do herói ao observar o roedor é uma mensagem muito bacana de paz, não só entre os próprios seres humanos, que devem prezar pelo convívio amistoso, mas também pelo modo como eles se relacionam com o restante da galáxia infinita. Uma lição de bom senso e educação, sem querer doutrinar, impor moral ou dizer que é proibido fazer isso ou aquilo, se é que vocês me entendem.
Esse tipo de texto, compromissado com ideais pacíficos, sempre permeou o conteúdo do programa, apesar da suposta violência de que Ultra Seven costuma ser acusado, afinal não é qualquer produção direcionada para “crianças” que assume desmembramentos e lançamentos de bumerangues metálicos esquartejadores e degoladores. Quando eu era criança, eram os raios luminosos e os bumerangues que importavam, hoje, o que me fascina é a mensagem de esperança, de que ainda dá tempo de mudar para melhor, coisas inocentes que faltam no mundo real quando leio as notícias do jornal ou assisto à TV. Elementos que, inclusive, estão fora até mesmo das ficções fabricadas atualmente.
Onde eu queria mesmo chegar depois de todo esse blablablá, que pode até ser considerado nariz de cera pelas pessoas, é que esse episódio sintetiza meu gosto pelo gênero. As mensagens de otimismo impressas nos tokusatsu, sejam elas para crianças ou marmanjos, que não desistem de ser crianças, apesar de a vida tentar a todo momento dizer impiedosamente a eles que a infância já passou, não costumam ser explícitas. Podem estar escondidas nos pensamentos de um personagem, em um gesto mais humano do herói principal e seus coadjuvantes.Tais princípios pode reverberar por toda uma vida e formar o caráter de um indivíduo. Admito que naquele dia torci para o Gieron vencer e a humanidade tomar jeito.
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Oi galera. Recebi o convite do Cruz para escrever aqui também, então dá uma licencinha aí que vou me acomodando… essa é a primeira experiência que tenho escrevendo para um blog, espero que minhas colaborações se tornem regulares no Robô Gigante. Engraçado que mesmo o Robô estando no ar há tão pouco tempo já encontrei comentários e posts de grandes pessoas e amigos que não vejo faz anos, aliás, quase uma década. Michel, Nagado, Robson, abraços para todos vocês! Nos falamos logo mais!
O Robson comentou no primeiro post do Nagado sobre a ausência dos tokusatsu na TV. Essa é uma questão sempre levantada pelos fãs. Lembro que desde a época em que eu frequentava as exibições do Neo Animation, há uns 12 anos, rolavam várias discussões sobre o assunto. Discussões acaloradas as vezes – queríamos porque queríamos o tokusatsu de volta.
Particularmente, acho que esse piti já perdeu o sentido. Hoje nem os animes estão mais tão em alta. Já faz um tempo que muitas emissoras perceberam que colocar uma tia qualquer cozinhando e fazendo merchandising de bugigangas de qualidade duvidosa dá muito mais grana do que licenciar e exibir programação infantil. O SBT e a Globo ainda mantém as suas, mas tudo o que passa chega por vias muito bem estabelecidas. Quase nada é mais novidade. E, convenhamos, no Japão, fora alguns lançamentos pro cinema e produções independentes, poucas coisas ainda prestam.
E outra: de alguns anos para cá, a internet ajudou a esfriar qualquer possível novo “boom” antes dele acontecer. O que não é ruim, mas trabalha contra novas séries na TV aberta. Faz tempo que não temos mais um fenômeno televisivo infantil. Foi-se a era de Jaspion, Cavaleiros, Pokémon, Dragon Ball. Mesmo nesses casos, a intensidade do “fenômeno” foi caindo de um para o outro. Jaspion dava um pau no Goku em audiência.
Hoje nenhuma distribuidora mais pisa em ovos. Não, até pisa. Mas são ovos cuidadosamente testados em galinheiros gringos. E, como muitos continuam quebrando, não há quem queira experimentar ovos de granjas desconhecidas. Naruto, por exemplo, foi minunciosamente projetado pelos japoneses. Deu certo, foi recauchutado (adaptado, cortado…) para o mercado americano e, só depois, chegou aqui, quase que com o selo do Inmetro colado.
O Jaspion não. Magina! O Toshi (então dono de uma locadora no bairro da Liberdade) viu que era legal e podia dar certo. Foi lá, encheu os pacotá dos japoneses, comprou, lançou em vídeo e rastejou pra alguma emissora passar. Conseguiu. Depois, rastejou pra alguma empresa de brinquedo fabricar. Não conseguiu. Mas não desanimou. Ele mesmo confeccionou alguns produtos até que algum Zé Mané do ramo acordasse para o potencial da coisa. O Toshi, e só ele, foi responsável pelo estouro do Jaspion. Ele mexeu com a cultura pop. Quando um japonês é chamado de Jaspion é culpa dele. Esse blog só existe por causa dele. Muitos amigos que fiz, só fiz por causa dele. Só canto e faço shows por causa dele. Foda, né?
Ninguém mais ousa desse jeito. Nem no Japão. Lá, o tokusatsu não passa de uma cópia terrivelmente besta do que ele já foi um dia. Goonger? Argh! E não tem essa de “ah, mas é pra crianças”. Um amigo meu, o Marcel, retrucou uma vez esse argumento no blog dele e está coberto de razão: “não é porque é pra criança que tem que ser ruim”. Oras!
Poxa, nos anos 60, o Eiji Tsuburaya tinha tesão em contar boas histórias de ficção científica. Ele tinha tesão em montar uma puta estrutura crível de efeitos especiais (quando os soldados americanos de ocupação viram um filme que ele fez sobre o ataque japonês a Pearl Harbor, pensaram que era um documentário). Shôtaro Ishinomori tinha toda uma ideologia em mente na hora de criar o Kamen Rider. Saburo Hatte, que durante anos foi o pseudônimo do genial produtor Tohru Hirayama, teve boas idéias durante praticamente todos os anos 80. E a P-Production, de Spectreman e Lion Man? Acho que não há maior sinceridade na história dos tokusatsu. E o resultado é espetacular. Mais recentemente, Tiga, Dyna e Gaia também são bem legais… Só paro aqui pro parágrafo não ficar gigantesco.
De lá pra cá, todas as sacadas geniais dos grandes criadores foram industrializadas em fórmulas babacas pra gente sem talento correr atrás de uns trocados. Eu acredito que o futuro do bom tokusatsu está cada vez mais nas produções para o cinema, DVD e no mercado independente. Hoje, muita gente que trabalhou com tokusatsu no passado tem idéias interessantes e uma camada de fãs crescidos como público alvo.
Keita Amemiya fez Garo para nós. Wecker, do Hiroshi Watari e cia, é outro exemplo. E essa é só a ponta do iceberg. Sem contar fãs engajados que podem produzir e distribuir via WEB o que quiserem. Isso já deve estar acontecendo (quem souber de alguma coisa legal me avisa, tá?).
(Ah, o Hideaki Anno, criador de Evangelion e fãzão de super heróis, rodou nos anos 80 o tokusatsu independente Dai Nippon, que é fabuloso)
Na tela grande, a Tsuburaya tem se saído bem com filmes saudosistas. Esse último, que junta praticamente todo o elenco principal das séries clássicas, deve ser demais. Mas para a TV a mediocridade é a mesma de sempre. Se ninguém fizer alguma coisa nova e legal, estamos fadados ao saudosismo eterno. Acho que ninguém quer isso, né?
Quero dizer o seguinte: dadas as condições de escoamento aqui e a qualidade atual do material major produzido lá, dane-se que não temos mais tokusatsu na TV no Brasil. Quem quiser assitir, veja pela internet. Beixe tudo. Não quero fazer campanha pró-pirataria, até porque eu canto de vez em quando no Japão e não pegaria bem. Mas, aqui entre nós, não posso ignorar as coisas nas quais eu acredito. E fechar os olhos para a rede é parar no tempo. Direitos autorais? Já eram. Seus detentores que arrumem um outro jeito de capitalizar. Quem quiser ver Kamen Rider Kiva pelo Youtube vai ver e acabou, dona Toei Company! Não tem como impedir. E isso é bom. Divulga, gera curiosidade, gera público interessado. Público que, quem sabe, pode comprar uns brinquedos ou uns DVDs se eles forem lançados aqui (ou lá) por um preço bacana.
Ryukendo, série de 2006 da Toho, vai ser exibido aqui no ano que vem, parece, pela Rede TV. Vamos ver no que dá. Acho que não vai agradar muitos fãs antigos, como eu. E quem gostou, já viu pela net. Minha curiosidade é sobre como a molecada vai reagir. Se lançarem os brinquedos no tempo certo e a exibição for num ritmo decente, pode até fazer um burburinho. As fórmulas, apesar de chatíssimas, funcionam com a criançada. Cada episódio é praticamente um plano de marqueting! Power Rangers só sobrevive até hoje assim.
Bom, azar da molecada. Daqui a uns 10 anos eles vão lembrar “daquele robô que virava carro e depois juntava com um trem pra soltar um raio por uma bazuca formada por três naves e uma girafa robô”. E nós, hoje, cotinuamos falando da cena da luta entre o Buba e o Change Dragon. Ou a crucificação do Ultra Seven. Até aí beleza, estamos em vantagem. Mas eu quero continuar me divertindo com tokusatsu. Quero que ele se reinvente, seja pela mídia que for. Quero lembrar de mais coisas legais daqui 10 anos. Pô, anime tem pra todas as idades e gostos. Games também. Mangás também. Cinema também…
E o senhor, seu tokusatsu, quando vai crescer?







