ROBÔ GIGANTE


REFLEXÕES SOBRE TOKUSATSU E A CULTURA POP JAPONESA by nagado
março 20, 2009, 1:47 pm
Filed under: Nagado, Papo

Hoje em dia, quando se fala em cultura pop japonesa (termo tão na moda), a maioria das pessoas se refere à combinação mangá, animê, games, cosplay e J-Music (basicamente, J-pop, J-Rock e Animesongs). O tokusatsu tem ficado de fora da definição, mas ele sempre foi parte essencial dessa indústria pop. Nos últimos anos, o tokusatsu tem perdido esse espaço porque é, com poucas exceções, associado a programas infantilóides cujo público formador de opinião (e que não seja meramente saudosista) é cada vez menor.

O tokusatsu não precisa ser sinônimo de programa infantil, apesar de ser na maioria das vezes, numa proporção muito maior que o animê. Ressaltando que eu não acho que uma produção violenta automaticamente se torna “adulta” ou mesmo “juvenil”. Por mais que os animês dos Cavaleiros do Zodíaco mostrem litros de sangue jorrando, aquilo jamais será um produto para adultos, exceto os adultos que cresceram gostando da série. Um produto mais adulto, do meu ponto de vista, tem mais a ver com uma visão de mundo mais elaborada. Por exemplo: um grupo de alienígenas numa espaçonave não tem condições de conquistar e controlar um país, muito menos um planeta. Quando se tem 8 anos, dá pra levar isso a sério. Já uma organização secreta que manipula pessoas para atingir seus objetivos, soa mais plausível e permite soluções menos forçadas como “vamos transformar algumas pessoas em abóboras e forçar a humanidade a se ajoelhar perante nosso Imperio, ah ah ah!!!”.

O tokusatsu como o conhecemos nasceu com o primeiro Godzilla (1954) e era um filme-catástrofe, feito para assustar, provocar reflexões e deixar a platéia boquiaberta com cenas espetaculares mesmo em um filme de baixo orçamento. Com a ida do gênero para a TV (onde encontrou seu veículo ideal) e com o passar dos anos, virou praticamente sinônimo de vitrine de merchandising e divulgação de brinquedos. As fábricas de brinquedos, aliás, foram assumindo as rédeas do controle criativo, ditando rumos e obrigando o uso de cada vez mais veículos, robôs e sub-transformações ou formas alternativas de personagens. A história foi ficando em segundo plano em relação aos apetrechos colecionáveis que são mostrados.

Particularmente, e sem correr o risco de ser saudosista demais, gosto de recordar aquelas cenas e episódios de seriados que surpreenderam, que foram além das expectativas e forneceram elementos para serem lembrados por muito tempo. As listas de filmes e séries que andamos soltando aqui, inclusive, valorizam exatamente títulos que se destacaram por seu roteiro, direção e desenvolvimento de personagens. Independente desses personagens darem origem a bonequinhos ou não.

Cabe aos produtores, roteiristas e diretores recuperar o espaço perdido para que o tokusatsu seja lembrado sempre como um dos pilares da cultura pop japonesa.



Homem Aranha da Toei de graça no site da Marvel by ricacruz
março 11, 2009, 6:52 am
Filed under: Uncategorized

Bizarro, mas tá rolando: o site da Marvel vai disponibilizar de graça todos os episódios da série em tokusatsu do Homem Aranha! Legal! O primeiro já está no ar. Qual será a periodicidade?

Li no Omelete.



A arte de Jaspion by ricacruz
março 4, 2009, 10:37 pm
Filed under: Uncategorized

Os DVDs do Jaspion estão no esquema. A primeira parte da série, como muitos já devem saber, sai no final de abril.

Estou acompanhando a diagramação da arte das caixas e boxes. Tá ficando o bicho. Esse é o material atual de divulgação. Alguma coisa pode mudar ainda.

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Awika Files #2 by ricacruz
fevereiro 17, 2009, 1:44 pm
Filed under: Awika!, Cruz

Mais um texto resgatado do Awika.

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Kido? Kido! Nationaro Kiido!

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National Kid ficou imortalizado como símbolo dos heróis japoneses no Brasil. Usando trajes pra nenhum Super-Homem botar defeito (com direito a anteninha de mola na cabeça balançando pra lá e pra cá), Kid lutava usando seus precários, porém charmosos, golpes de caratê contra os Incas Venusianos. O enlatado japonês, que poderia ter passado batido, resistiu ao tempo e foi lançado este ano em DVD.

Há quatro décadas, assistir aos episódios do herói oriental era a obrigação de toda criança antes de ir para a escola. Ainda hoje, essa geração não se cansa de falar e comparar lembranças do seriado (e de, com isso, confessar a idade…).
No Brasil, o seriado desembarcou em 1962, na TV Record. Por vários anos, seus 39 episódios, que se agrupavam em quatro temporadas, foram exibidos e reprisados. Quando chegou 1968, National Kid foi levado das telas da televisão junto com boa parte do acervo que a Record perdeu num incêndio.

Os fãs do super herói só voltariam a vê-lo em 1995, graças à Sato Company que relançou 90% do programa em vídeo em comemoração ao 85o aniversário da imigração japonesa.

No entanto, parte das lembranças foram assassinadas pela nova dublagem, que não foi condenada apenas por se tratar de uma nova dublagem, mas sim por ter sido muito mal conduzida. A maior blasfêmia envolveu clássica saudação dos Incas Venusianos, Awika (com som forte no i), que foi trocada por “Ávica”. O curioso é que a redublagem foi dirigida por Emerson Camargo, dono da voz original do super-herói. Ele tinha a obrigação de saber, pelo menos, essa palavra, a mais lembrada pelo público – a menos que Emerson tenha optado em deixar a adaptação mais próxima do original, em que “Awíka” é “Àvika” mesmo, apesar disso ser pouco provável.

Mas nada disso importa para quem via o professor Masao Hata e o quinteto de crianças há 40 anos. Alugar ou comprar National Kid em vídeo era o mesmo que ter em mãos uma máquina do tempo e poder usá-la a qualquer hora.
O relançamento da série foi um grande sucesso. Teve exposição de ilustrações no Sesc Pompéia, exibições em vários teatros e cinemas e até um bloco inteiro num Fantástico da época.

Sete anos depois, o mesmo Nelson Sato, presidente da Sato Company, lançou, em parceria com a Cinemagia, os dois primeiros volumes de National Kid em DVD, que está disponível nas lojas.
Nessa reedição, que fixou a desgastada película em formato digital, foram incluídos os treze primeiros episódios da saga, que abrangem toda a temporada dos Incas Venusianos. O que ficou estranho é a falta de opções com relação as legendas e á dublagem. No primeiro disco, só está disponível a cópia dublada e no segundo, não dá para ver outra versão se não a legendada. Mas, enfim, os episódios estão alí, a salvo de todo o mofo.

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O primeiro super-herói

Não pense que National Kid foi um fracasso no Japão. Pelo contrário. Lá, o mascarado também representa um marco para a história dos tokusatsu.

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Pronunciando Nationaro Kido, os famosos estúdios da Toei Company produziram o seriado, que estreou em 1960 pela emissora NET (atual TV Asahi). Apesar de ser o primeiro herói a poder voar, a revolução de Kid estava nos bastidores. O orçamento usado para a filmagem de um episódio de trinta minutos era de, aproximadamente, um milhão e quinhentos mil ienes (hoje, cerca de doze mil dólares). Isso numa época em que a média era destinar dez mil ienes por minuto às produções para a TV (lembre-se que, nos anos de 1950 e 60, a Toei investia muito mais em filmes para cinema. A televisão ainda era posta numa categoria inferior).

Esse investimento todo veio por intermédio da National Matsushita Denki (atual Panasonic), a patrocinadora do seriado. A empresa apostou num programa infantil como um imenso outdoor para aumentar as vendas de suas pilhas e bugigangas eletrônicas. A jogada foi de mestre e o objetivo foi alcançado em pouco tempo. National Kid não só carregava, ele próprio, o nome da futura Panasonic, como vivia mostrando rádios e aparelhos sofisticados com a estampa da empresa. A pistola Eroruya, que o herói usava para disparar raios, começou a ser comercializada nas lojas e foi outro grande sucesso. Era a primeira vez que as crianças podiam brincar com um apetrecho oficial de um programa que via na TV (um alívio para as donas de casa, que não agüentavam mais ver suas toalhas e lençóis recortados em forma de capa). Com isso, o merchandising, que hoje dita as regras no ramo de entretenimento, estava criado.

Além do trabalho institucional, a própria série ganhou um clima moderno e futurístico, o que atraía a audiência. Lógico, cifras a mais destacaram a qualidade da produção. As cenas de vôo, por exemplo, eram feitas em cromakey (fundo azul ou verde), o que liberava os pobres funcionários do estúdio da constrangedora função de ficar correndo com um boneco tosco pendurado num fio.

MENSAGEM ANTI-NUCLEAR

Os Incas Venusianos, liderados pela rainha Aura (devota ao deus Awika), chegam à Terra e alertam alguns cientistas para que parem as pesquisas de energia nuclear. Eles temem que os terríveis efeitos da radiação extrapolem o território terrestre e infectem outros planetas do universo. National Kid é enviado do planeta Andrômeda para defender os humanos. Aqui, ele se disfarça do cientista Masao Hata (originalmente chamado de Ryusaku Hata) e, ao chamado do rádio mágico surge onde quer que esteja o perigo. Além dos Incas Venusianos, Kid quebra o pau com os Seres Abissais, os Seres Subterrâneos e os Zarrocos.

Como a maioria dos heróis do pós-guerra, National Kid fazia um apelo para o fim dos testes nucleares. As feridas japonesas ainda não estavam totalmente cicatrizadas e, com o tokusatsu, era possível passar os ideais de paz e progresso através de metáforas bem estereotipadas (vide Godzilla, fruto de testes com radiação).

Mas essas mensagens subliminares não faziam diferença para o publico brasileiro, que estava mais interessado em saber se Kid iria ou não dar um fim em Aura e nos outros Incas Venusianos.

Curiosidade: O ator que interpretou o alter-ego humano de National Kid, Ichiro Kojima, foi trocado depois das duas primeiras histórias para estrelar filmes da própria Toei. No lugar entrou Shutaro Tatsume.

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PHD em National Kid

Humberto Cardoso é o autor do site National Kid Brasil, lugar onde você encontra as mais completas informações sobre o herói. Confira porque até hoje ele não desgruda do Super-Homem nipônico (não, não é bem isso…) nessa mini-entrevista:

Awika – Quais são suas melhores lembraças do National Kid?

Humberto: National Kid tem uma marca registrada na minha vida. Eu morava no Cachambi, com os meus pais e meus irmãos. Toda a família vibrava com as cenas do seriado e nós, na época com idades entre 6 a 8 anos, brincávamos, pulávamos e cantávamos a marchinha clássica. Nossos amigos da escola e da rua não ficavam de fora. National Kid, certamente, encontra-se atrelado à melhor fase da minha vida, um verdadeiro marco.

Awika – Nos anos 60 eram exibidos vários outros programas com super heróis e aventuras, como Ri-tin-tin, Batman, Perdidos no Espaço e o próprio Super-Homem. O que o Kid tinha de especial?

Humberto: Independente das cenas de ação ou dos inimigos, havia algo que, indiscutivelmente, nos cativava muito: os protegidos do Professor Masao Hata. Nós nos identificávamos muito com aquelas crianças, que viviam se metendo em confusões e sendo resgatadas pelo National Kid. O menino mais novo era incrível!

Awika – Quando surgiu a idéia de montar um site sobre o National Kid? Onde conseguiu as informações?

Humberto: Em pesquisa na Internet, há cerca de 2 anos, encontrei apenas um site que, entre outros assuntos, trazia um pequeno texto e uma única imagem do National Kid. Como eu tenho todas as fitas da série, inclusive as duas últimas, não lançadas no Brasil, resolvi capturar algumas imagens e introduzir num site da Intermega (Globo, o primeiro, praticamente em fase de teste). Aqui no Rio há inúmeros fãs do herói e consegui obter várias matérias, publicas em jornais da época. Outras informações vieram por intermédio de amigos no Japão. Conheci um rapaz, de São Paulo, webmaster do site Retrotv (www.retrotv.com.br), que demonstrou interesse na elaboração do site pelo Hpg. Na época eu não tinha conhecimentos de programação html mas, diante da gentileza dele, resolvi seguir em frente.

Awika – Para finalizar, tire a dúvida que atormenta muitos fãs: National Kid era exibido na Globo ou na Record?

Humberto: A série foi exibida na Record e, em algumas ocasiões, na Globo. Por último da extinta Rede Manchete. Há algum tempo, a série estava sendo exibida na TecSat.

Heróis de grife

National Kid ficou famoso por ter o mesmo nome da empresa patrocinadora, no caso, a National. Entretanto, existem outros programas exibidos no Japão que escancaram o nome do injetor de recursos no título. Um deles é até anterior ao Kid e ficou conhecido como “Sony-gou Soratobu Bouken” (algo como “Número Sony: A Aventura que voa pelo Céu”).

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Sony-gou Soratobu Bouken

O seriado é um cult americano produzido em 57. Como, obviamente, era a Sony que patrocinava o projeto, os japoneses decidiram (ou foram obrigados) a colocar o nome da hoje toda poderosa empresa como nome principal da série, que no original chama-se Whirlybirds. Sony-gou é o helicóptero que os heróis da história, vividos por Kenneth Tobey e Craig Hill, usam para salvar pessoas feridas, levar remédios e até perseguir bandidos a mando da sua empresa de serviços aéreos.
Há algumas décadas, diferente de hoje, cada produção costumava ser patrocinada por uma única empresa. Logo, era comum ver séries e animes com títulos “homenageando” quem está por trás, como Kaze no Fujimaru (Fujimaru do Vento, 1964), da farmacêutica Fujiwara Yakuhin ou Harisu Senpu (Harisu Redemoinho, 1966), custeado pela Harisugamu, de produtos manufaturados.

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Kaze no Fujimaru

Um live action do final dos anos 50 mostrava um herói cômico chamado Tonma Tengu (Goblin Tolo) falando : “meu sobrenome é Oronain e meu nome é Nakou!”. Acontece que Oronain Nankou é o nome da pomada que a empresa farmacêutica Otsuka Seiyaku, patrocinadora da série, fabrica (até hoje é o seu principal produto). Em Alah no Shisha, de 60, apoiado pela Kabaya Shokuhin (alimentícia), o protagonista lutava para defender um nobre, descendente do reino de Kabayan. O nome do nobre era Kokonuts, referência ao delicioso Kokonuts Caramel, famosa guloseima feita pela empresa.

Se hoje isso parece bizarro ou até mesmo engraçado, na época era natural. Afinal, era preciso capitalizar!

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Tonma Tengu



Awika! Files #1 by ricacruz
fevereiro 10, 2009, 12:02 am
Filed under: Awika!, Cruz

Encontrei aqui um CD com todos os textos que foram publicados no site Awika! – revista virtual sobre tokusatsu que toquei com o Rodrigo em 2003. Era um tesão fazer esse site. Tinhamos liberdade total pra construir tudo do jeito que imaginávamos. Fazíamos tudo sozinhos; texto, diagramação, edição. Era pelo amor a camisa. Não ganhávamos nem um centavo. Depois de um tempo, com o trabalho apertando, começou a ficar difícil colocar tudo no ar dentro da periodicidade que a gente se propôs a cumprir. O volume do material era enorme e só interessava manter o site se fosse para continuar naquele formato – visual bacaninha, várias seções, bastante conteúdo. Uma pena mesmo. Quem sabe um dia dê coragem de encarar um projeto desses outra vez.

Por hora, vou republicar alguns textos que fiz pra lá. Começo pela capa da terceira, e última, edição virtual. Talvez essa tenha sido a maior matéria que eu já escrevi na vida. Sério! Fiquei semanas debruçado sobre o texto, colhendo detalhes, fuçando… Fui fundo. Esmiuçei todas as temporadas de Power Rangers até Força Animal com riqueza de detalhes e boxes adicionais. Pra poupar a barra de rolagem ai do lado, vou deixar de lado as temporadas e colocar aqui só o texto inicial, mais geral.

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O Impérío Sabam
10 anos de Power Rangers

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Opiniões pessoais à parte, fato é fato: a Saban Entertainment, produtora dos Power Rangers, foi a grande responsável pelo estabelecimento da indústria do tokusatsu no ocidente (entenda por indústria, neste caso, a interação entre um gênero televisivo duradouro, um extenso leque de produtos agregados e uma poderosa campanha de marketing projetando tudo isso). A grife criada em 1993 pelo empresário Haim Saban, que consiste em aproveitar as cenas prontas dos Super Sentai japoneses recentes e mesclá-las a filmagens feitas nos EUA, foi um fenômeno de audiência quando estreou e continua se renovando até hoje, dez anos depois. Isso numa época em que, principalmente se tratando de programas de televisão, as coisas costumam ser muito mais efêmeras.

No Brasil, o seriado também estreou em 1993, na Fox. Depois, migrou para a Fox Kids e, finalmente, foi para a Globo, onde passou a ser o líder de audiência dos programas infantis da emissora. Foi uma época de glória para os importadores tupiniquins, que traziam os brinquedos da série antes de qualquer empresa oficial se mexer (já que, como nos EUA, aqui também ninguém esperava que o sucesso do quinteto chegasse a tanto).

Apoiado no sucesso dos Rangers, Haim Saban tentou emplacar outros programas na mesma linha, como VR Troopers e Beetle Borgs, mas nunca chegou perto de superar a sua primeira empreitada (falaremos deles na próxima edição).

QUEM É HAIM SABAN?

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Muitos vão se surpreender ao saber que Haim Saban começou a carreira como músico. Israelita, Saban passou uma parte da infância no Egito e depois se mudou para França, onde estabeleceu a Saban Records. Lá, no fim da década de 1970, ele era responsável pela trilha sonora de vários desenhos. Ao mesmo tempo, Saban também licenciava produções japonesas no país. Em 1978, ele trouxe o animê que se tornaria um grande hit em toda a Europa: Ufo Robo Grandizer. Também produziu a versão francesa de Message from Space, da Toei, que ganhou o título local de San Ku Kai (!). Nos anos de 1980, o empresário comprou os direitos Policial do Espaço Gavan e Super Electron Bioman, que foram fenômenos de audiência e popularidade e, hoje, são os dois tokusatsu mais cultuados na França (como se fossem a dupla Jaspion/ Changeman de lá). Na mesma década, ele se mudou para Los Angeles e fundou a Saban Enterteinment, por onde é creditado, junto com o também israelita Shuki Levy (que também atuou em Power Rangers) em várias trilhas sonoras de desenhos animados, incluindo cults, como He-Man e She-Ra.

Em 1986, Saban tentou emplacar Bioman nos EUA, propondo uma gigantesca campanha de marketing junto à companhia de brinquedos Galoob Toys, mas a tentativa acabou não dando certo. Foi com o desenho Macron-1 (que juntava dois animes nipônicos: Missão Espacial Strungle e Deus da Guerra Civil Go Shogun), que Saban começou a comer pelas beiradas o poderoso do mercado americano. O programa teve uma certa aceitação, mas não tanta quando seu próximo lançamento, Saber Riders e os Xerifes Estelares , que foi exibido no Brasil pelo SBT (desta vez, a base foi o animê Cavaleiros Estelares Bismark). Mas o desenho que ergueu a Saban nos EUA não era calcado em nenhuma produção japonesa, apesar de a animação ter sido produzida, em parte, por lá: Inspetor Bugiganga, também exibido aqui pelo SBT.

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O contrato de exclusividade entre Saban e a Toei Company foi o maior trunfo do empresário depois do estouro de Power Rangers, pois muitos outros licenciantes tentaram trazer para os EUA programas similares para aproveitar a onda e faturar alguns trocados. No entanto, quando isso acontecia, Saban jogava seu contrato com a matriz na mesa e resolvia o impasse. Diante da impossibilidade em adquirir os direitos de Battle Fever J, o canal USA Network decidiu produzir seu próprio “sentai” para brigar com os Rangers, o Jovens Tatuados de Beverlly Hills, que o SBT mais uma vez nos ajudou a conhecer. Contudo, a série era extremamente precária e foi um fracasso retumbante, inclusive no Brasil.

O parceiro de longa data de Saban, Shuky Levi, deixou a empresa e fundou a DIC, que se mancomunou com a Tsuburaya Productions em 1994 na produção de Super Human Samurai Cyber-Squad, versão americana de Super-Homem Eletrônico Gridman. Haim Saban tentou impedir que seu companheiro competisse com ele, mas não conseguiu, visto que as empresas japonesas com que eles tinham contato eram diferentes. O que o criador dos Power Ranger exigiu foi a mudança do título, que no começo estava planejado para ser Power Boy. De qualquer forma, o seriado, visto aqui pela finada TV Manchete, afundou em poucos meses (a Sato Company detém os direitos da série no Brasil).

Durante uma década, a Saban Enterteinment e os Power Rangers cresceram muito. Com a ajuda de profissionais renomados do tokusatsu japonês, como diretores, dublês, etc, que passaram a atuar regularmente no seriado, a empresa desenvolveu de tal forma sua criação a ponto de, hoje em dia, serem necessárias muito poucas cenas da versão original para compor o produto final.

Muitos desgostam, mas a verdade é que a Saban aprendeu a fazer tokusatsu de qualidade, sim, a ponto de, hoje em dia, não dever nada, ou quase nada, à matriz japonesa (ah sim, sempre sobram algumas gargalhadas coletivas no fim dos episódios e piadinhas de retorcer o estômago no meio das lutas, mas esses são americanismos incorrigíveis…). A Saban chegou a um nível em que poderia muito bem deixar as versões originais em paz e começar a criar seus próprios heróis, que, com certeza, só viriam para somar ao gênero dos tokusatsu. Só que a parceria com a Toei Company é extremamente rentável para ambas as partes, e, como dizem, não se deve mexer em time que está ganhando, certo? Para a Saban está certíssimo.

A TOMADA DO OCIDENTE

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Os Power Rangers são fruto de uma série de tentativas e idéias da Saban e da Toei de cativar a audiência do ocidente com a fórmula nipônica. Para entender a história toda é necessário que se volte vinte e dois anos no tempo. Em 1981, a Toei International de Los Angeles, subsidiária da Toei Company, tentou dar o primeiro passo rumo à internacionalização de seus heróis. O objetivo era produzir uma versão americana para o sentai Esquadrão Solar Sun Vulcan, o quinto programa do gênero, tendo-se o conhecimento de que alguns seriados japoneses eram exibidos em canais UHF locais dos EUA com certa aceitação. O produtor Susumu Yoshikawa, figura lendária dos tokusatsu, especialmente dos super sentai em que produziu entre muitos, o Goggle Five, estava trabalhando em Sun Vulcan e chegou a ser cogitado para ir até os EUA supervisionar pessoalmente todo o projeto de adaptação e lançamento da série por lá. Acabou que a tentativa foi inviabilizada devido a impossibilidade de vender o seriado às emissoras de TV americanas. Não existia espaço nem tradição que sustentasse uma atração daquelas.

O plano da Toei Internacional, apesar de frustrado, já deixava claro o interesse da empresa em exportar os Super Sentai. Recém-saída da década de 1970, tempos de glória para a indústria do tokusatsu, a produtora já não pisava mais em ovos. Já tinha conhecimento o suficiente do poder de fogo de seus personagens e do seu estilo de entreter. Mesmo sabendo das diferenças culturais enormes existentes entre Japão e EUA, o estúdio percebeu que a fórmula nipônica poderia dar muito certo na terra do Tio Sam. No entanto, o resultado frustrado da empreitada mostrou que eles estavam doze anos adiantados.

O tempo correu e, em 1987, Haim Saban chegou junto à Toei com a idéia de produzir uma versão americana de Metalder, o Homem-Máquina, o que não deu certo. A partir dos anos de 1990, o foco da empresa passou a ser licenciar, adaptar e distribuir séries japonesas no mercado americano. O empreendedor retomou as negociações com a Toei Company e sugeriu desta vez americanizar o então mais recente super sentai da produtora, Esquadrão Jurássico Jyuranger, de 1992. Saban explicou que as crianças americanas poderiam ficar confusas vendo cinco japoneses como protagonistas e contou seus planos de substituí-los por atores estadunidenses. A Toei estava ciente do problema topou as alterações propostas por Saban, firmando assim a parceria entre as duas empresas. Faltava agora convencer as emissoras de TV, o passo mais difícil de ser dado.

Inovar nem sempre é fácil. A falta de tradição às vezes pode se tornar uma barreira quase intransponível. Haim Saban cansou de apresentar a série a executivos de grandes emissoras, mas a estranheza dessa gente ao olhar para o seriado sempre acabava desovando num doloroso “não”. Nos EUA, existe um forte consenso entre os poderosos tomadores de decisões das emissoras de televisão sobre o que é apropriado para as crianças e o que não é. E essas pessoas acharam que um seriado como Power Rangers não sobreviveria uma semana no ar em plena época dos glamurosos e multibilionários efeitos visuais.
As portas só se abriram quando a série chegou nas mãos de Margaret Loesch, da Fox Children´s Network. Ela disse: “Todos, incluindo o meu chefe, disseram: isso é um lixo!”, mas completou, “esse programa pode ser mal feito, mas tem personagens extremamente criativos”. A Fox Childen´s Network defende que as crianças gostam de diversidade de entretenimento, assim como os adultos. Naquele tempo, o canal exibia desenhos de super heróis, como X-Men e Batman: The Animated Series e comédias como Animaniacs ou Tiny Toons. Por serem diferentes de tudo o que existia até então, os Power Rangers ganharam um horário da grade da emissora. Imediatamente, os cinco heróis viraram um fenômeno de audiência sem precedentes. Logo na primeira semana, exatamente no dia 30 de outubro de 1993, conseguiram uma marca história de 25.1 pontos no Ibope. Com isso, Mighty Morphin Power Rangers ganhou o título de programa infantil mais assistido da história da TV americana.

Os brinquedos da série, lançados pela Bandai, também săo parte do sucesso da marca. As miniaturas dos heróis, que mudavam a cabeça entre a versão civil e a transformada do personagem, além de brinquedos com os os Zords, os vilões e etc, fizeram a criançada pirar de vez. Apesar da falta de experiência no negócio, a Saban conseguiu aos poucos seguir a mesma estratégia de marketing agressivo dos japoneses: a de sincronizar o lançamento dos brinquedos com a exibição na TV. Com isso, depois que o garoto assiste os Rangers ganhando um novo robô, por exemplo, ele vai encontrar nas lojas todos os brinquedos referêntes àquela fase. No Japăo, não só brinquedos, mas o lançamento de jogos de videogame, revistas em quadrinhos, especiais de cinema, CDs de música, cards, e mais uma lista de bugigangas relacionadas ao respectivo personagem ou marca já estão todas planejadas antes da série entrar no ar.

O planejamento sobre em que momento cada item deve ser lançado também é minuciosamente estudado, o que faz a criança consumir tudo o que vê pela frente.
Essa lavagem cerebral foi adaptada à realidade americana e sendo aperfeiçoada ano a ano. Foi graças as a esta interação de mídias que os Power Rangers estão vivos depois de dez anos – nenhum outro programa infanto juvenil esteve por tanto tempo no ar e sempre com boa audiência.

NOVOS RUMOS

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Em 1995, a Saban Entertainment e a News Corpotation firmaram uma parceria que beneficoiu cada parte com 49,5% das ações de toda a família Fox, a Fox Family Worldwide (o 1% que sobrou ficou com a Allen & Company Inc.). No final de 2000, Saban quis vender sua parte para News Corp, mas a empresa já estava satisfeita com a sua porcentagem. Noentanto, pouco depois, foi decidia a venda de toda a companhia para a Disney. O negócio foi fechado no começo de 2001. O império fundado pelo pai de Mickey pagou, em dinheiro vivo, três bilhões de dólares pela Fox Family Worldwide e assumiu mais dois bilhões em dívidas, totalizando a desconcertante quantida de cinco bilhões de dólares.

Em troca, a Diney passou a ser dona da Saban Enterteinment e todas as suas 6.500 horas de programação infantil que chegam até 25 milhões de pessoas espalhadas por cinquênta países, em 15 línguas. No pacote também veio o Fox Family Channel, canal a cabo que atinge cerca de 81 milhões de assinantes. A Fox Kids ficou de fora da negociação. Em outubro deste ano, Haim Saban comprou a KirchMedia, empresa de TV cujas emissoras dominam cerca de 24 % de toda a audiência da Alemanha.

Enquanto isso, os Power Rangers continuam caminhando com força total nas manhãs de sábado rede ABC sem data para chegarem ao fim…
(Awika! no. 3 – 2003)



Insector Sun no G1 by ricacruz
fevereiro 4, 2009, 2:05 pm
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Li agora pouco no G1 (!) uma matéria sobre o fim da série Insector Sun, o mais conhecido tokusatsu feito no Brasil. É uma pena. Além de Ribeirão City agora estar desamparada, a série criada pelo Christiano Silva fez história e divertiu muita gente – eu incluso. Lembro de sempre receber um CD com o episódio mais recente quando trabalhava na Conrad. Era sempre uma festa. Viamos na redação e, quando chegava em casa, assistia até o fim.

Era legal! E eu achava promissor. Lembro de ter comentado com não lembro quem que o Insector Sun podia seguir os mesmos passos do France Five, que começou com produção tosca e terminou com tratamento profissa e passando na televisão – teve até música cantada pelo Kushida.  Infelizmente me enganei. O problema é que aqui no Brasil ninguém se interessa em patrocinar esse tipo de iniciativa. Ninguém entende o que é. Ainda mais fora das cidades maiores. Tenho certeza de que não foi por falta de ir atrás do Christiano.

Tá, ele mora longe, tem que trabalhar, não tem tanta experiência na área e tal… Mas, pô, Insector Sun é a versão brazuca do Jaspion! Ele representa o que toda uma geração de pessoas com seus 25, 30 anos assistia quando era moleque. Brinca com a cultura pop. Todo mundo saca. Se alguém lá na cidade desse uma força, uns trocados, o Christiano poderia produzir melhor, de repente até colocar alguma coisa nos canais locais, que estão sempre procurando o que passar. O Insector seria o justiceiro oficial de Ribeirão Preto! Olha só que legal.

Seria tão inusitado que repercutiria até no Japão, do mesmo jeito que o France Five repercurtiu. Poderia render umas matérias em revistas especializadas lá, gerando mais divulgação. Vai saber o que poderia rolar. Mas nada disso vai acontecer. Sem ninguém pra dar uma força – tô falando de tutu mesmo – o Insector Sun já matou quem tinha que matar e voltou pra sua casa, preocupado em pagar o aluguel e ralar todos os dias.

É uma pena mesmo. Mas eu ainda quero ver uma futura segunda temporada. E que apareçam mais heróis nipo-tupiniquins. Que seja tosqueira mesmo. O importante é gostar de tokusatsu e encher de referências bacanas. O Hideaki Anno começou fazendo tokusatsu amadores. E não estou falando de Dai Nippon, que é ajeitado. Eu sei que o Brasil não é exatamente o terreno mais fértil para alguém conseguir incentivo para desenvolver um projeto cultural independente desses. Lá fora dá muito mais certo. Mas não custa tentar, né?

Olha só o texto do G1:

Jaspion ‘made in Ribeirão Preto’ chega ao fim da carreira

Professor de kung fu criou história inspirada em séries japonesas.
Sem patrocínio, episódios deixarão de ser filmados.

O nome do personagem, “insector”, foi inspirado no louva-a-deus, um estilo do kung fu, e o “sun” é uma alusão ao forte calor de Ribeirão Preto. Por causa desse calor, as filmagens geralmente são feitas no meio do ano quando o clima na cidade é mais fresco e os atores não ficam suando muito dentro das fantasias.

O mocinho é politicamente correto e não usa armas. Combate seus inimigos com os poderes de seu corpo como a capacidade de dar saltos de até 30 metros, um chute destruidor e um punho solar que dá força ao golpe com a mão. Seu automóvel é a moto insector turbo, que se movimenta sozinha para ir a seu encontro.

O fim da série deve deixar órfão o público infanto-juvenil que sempre acompanhava o episódio nas exibições em Ribeirão Preto e também os adultos que gostaram de ver um jaspion à brasileira. Os trechos dos filmes postados no YouTube foram vistos mais de 30 mil vezes.

Luísa Brito Do G1, em São Paulo

Insector Sun, personagem de Christiano Silva, em “Ribeirão City”  (Foto: Joel Silva/Folha Imagem)

Cada episódio levou três meses para ser filmado  (Foto: Divulgação )

Silva conta que gastou cerca de R$ 1 mil para fazer cada episódio. O dinheiro foi usado para confeccionar fantasias e cenários. Os atores são amigos, alunos de escolas de teatro da cidade e da academia onde ele dá aula de kung fu. Todos atuam como voluntários, sem receber nada pelo trabalho. Até dezembro do ano passado, Silva trabalhava também como webdesigner e tinha uma renda mensal que variava entre R$ 1.000 e R$ 1.500. Agora, só com o emprego de professor, recebe cerca de R$ 500 por mês. Ele mora em um conjunto habitacional com a mãe e tem que ajudar a pagar as contas de casa.

Cada episódio tem duração de 30 a 40 minutos e levou cerca de três meses para ser filmado. Isso porque os atores voluntários só podem atuar nos finais de semana, pois trabalham ou estudam nos dias úteis. É Silva quem filma, edita e divulga o filme.

“Só ganhamos algum dinheiro quando somos chamados para animar festa infantil com os personagens do Insector Sun, mas isso não é o foco do nosso trabalho”, diz, desanimado, o idealizador da série que terá de encerrar as aventuras do herói de Ribeirão City. “Estou triste, frustrado, mas consegui fazer sozinho os 12 episódios. As pessoas patrocinam tanta coisa e não querem investir num filme”, queixa-se. Se encontrar um patrocinador, Silva diz que continua a série.

Quando não está combatendo o crime, o herói brasileiro faz bicos para sobreviver  (Foto: Divulgação)

O professor conta que teve a idéia de criar a série porque gostava muito dos seriados japoneses como Jaspion e Jiraya e queria fazer algo com características nacionais. O mocinho da série, Kri Lee, por exemplo, não tem emprego fixo e faz bicos para se manter como vários brasileiros. “Ele rala para sobreviver, não é como o Batman que é rico e resolve virar super-herói”, diz. Quando percebe que a cidade está ameaçada ele se transforma em Insector Sun para combater as forças do mal. Além de Shaken, o herói também enfrenta outros inimigos que mudam a cada episódio.

Calor

O nome do personagem, “insector”, foi inspirado no louva-a-deus, um estilo do kung fu, e o “sun” é uma alusão ao forte calor de Ribeirão Preto. Por causa desse calor, as filmagens geralmente são feitas no meio do ano quando o clima na cidade é mais fresco e os atores não ficam suando muito dentro das fantasias.

O mocinho é politicamente correto e não usa armas. Combate seus inimigos com os poderes de seu corpo como a capacidade de dar saltos de até 30 metros, um chute destruidor e um punho solar que dá força ao golpe com a mão. Seu automóvel é a moto insector turbo, que se movimenta sozinha para ir a seu encontro.

O fim da série deve deixar órfão o público infanto-juvenil que sempre acompanhava o episódio nas exibições em Ribeirão Preto e também os adultos que gostaram de ver um jaspion à brasileira. Os trechos dos filmes postados no YouTube foram vistos mais de 30 mil vezes.



TOP 5 – CINEMA by nagado
janeiro 28, 2009, 1:29 pm
Filed under: Nagado, Papo | Tags: , , , ,
Chegou a hora de uma listagem sobre o que de melhor o tokusatsu já produziu para o cinema, lembrando que o tokusatsu nasceu na tela grande, apesar de ter sido melhor acolhido na telinha. Não farei aqui uma lista dos filmes mais importantes na condição de especialista. O tokusatsu cinematográfico mais importante de todos os tempos é Godzilla, o original de 1954, o início de tudo. Criou fórmulas, conceitos e mudou a cara do cinema japonês. Rodou o mundo e virou ícone pop. Não é questão de gosto pessoal e não há o que discutir: Godzilla é o número 1 isolado quando se fala em tokusatsu para o cinema. Todo o resto está muitos degraus abaixo em termos de repercussão ou importância histórica.

A lista que vou divulgar a seguir é baseada somente em GOSTO PESSOAL, em filmes que eu vi e revi várias vezes, que me empolgaram e ficaram na memória. São somente filmes criados originalmente para o cinema, englobando diversas épocas. E como lista existe pra ser debatida, aguardamos suas opiniões. Agora, minha lista de movies de tokusatsu favoritos, em ordem de preferência:

1) Ultraman Tiga – A Odisséia Final (2000): O melhor trabalho de direção de atores que já vi num tokusatsu. Apesar da presença forte da Cap. Iruma (Mio Takaki), é Rena (Takami Yoshimoto) quem rouba a cena com uma atuação sensível e inspirada. Os vilões são ótimos, a produção é esforçada e a trilha sonora, que já era boa na TV, ganha ares cinematográficos. Drama e romance convincentes para quem não é mais um adolescente que fica só esperando a hora da luta. Aliás, as cenas de luta são ótimas, mas neste caso, nem precisavam ser.

2) Kamen Rider ZO (1993): Tenso, bem dirigido e com lutas e efeitos especiais espetaculares para a época, além de monstros assustadores e um herói carismático à moda antiga. Uma luta do herói contra o vilão Doras, que mostra uma longa tomada de cena única em que eles trocam golpes pelo cenário, é impressionante. Na época, ganhei o VHS original, que foi copiado exaustivamente e assistido dezenas de vezes, sem exagero.

3) Ultraman Tiga, Dyna e Gaia – Operação Superdimensional (1999): Duas crianças adoráveis carregam o filme nas costas e criam o fio condutor de uma poderosa aventura de Gaia. Geralmente não gosto de crianças em apuros, que aparecem aos montes no tokusatsu, mas neste caso escolheram atores-mirins de grande talento. As aparições de Tiga e Dyna acabam meio gratuitas, mas vê-los juntos pela primeira vez causou impacto na época.

4) Godzilla Final Wars (2004): Assistindo, dá pra entender como gastaram 35 milhões de dólares num tokusatsu. Nenhum filme do gênero jamais custou tão caro. O filme mais novo dos Ultras não chegou a custar 5 milhões. Monstros clássicos, vilões saídos dos anos 60, mas com um toque moderno, atores canastrões (como o lutador Don Frye falando só em inglês com os japoneses) e a maior orgia de destruição jamais vista no cinema japonês. É um filme insano e por isso mesmo, muito divertido.

5) Ultraman Mebius & Ultraman Brothers (2006): Um encontro de gerações histórico! Uma história simples e que não cansa. Atmosfera, interpretações e ação bem dirigidos e que dão grande regularidade ao filme. O tempo transformou os veteranos em atores ainda mais carismáticos. Pelo excesso de computação gráfica ruim, por pouco esse filme não cai fora da lista.

Lembrando que até o momento em que escrevi esta lista, ainda não havia assistido ao Chou Ultra 8 Kyodai (ou Superior Ultra 8 Brothers), a mais recente produção dos Ultras. Depois que eu assistir, comentarei aqui.



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